(Zebra Crossings, GBR, 2008)

Drama

Direção: Sam Holland

Elenco: Lee Turnbull, Greg Wakeman, Aaron White, Kyle Treslove

Roteiro: Sam Holland

Duração: 140 min.

Minha nota: 8/10

Depois da minha consulta de sempre em São Paulo pude conferir pelo menos um dia da 32ª Mostra Internacional de Cinema, que começou no último dia 17 e termina no dia 30 deste mês. O local escolhido foi o Unibanco Arteplex, no Shopping Frei Caneca, já que estava perto e tinha opções variadas de filmes.

A idéia inicial era assistir ao documentário Só Dez Por Cento É Mentira, de Pedro Cezar. O problema foi que minha mãe queria assistir a uma coisa bem animada e resolvemos escolher um outro título. Depois de muitas sinopses o escolhido foi Zebra Crossings.

O filme conta a história de Justin, um jovem delinqüente que passa os dias aprontando todas, ignorando e sendo ignorado pelo pai bêbado e que só consegue demonstrar sua sensibilidade ao lado da irmã doente que não consegue nem se levantar da cama.

Seus amigos são tão perdidos quanto ele e não pensam duas vezes antes de cometerem atrocidades, maldades e crimes por aí. Sempre fugindo da polícia, chega um momento em que Justin tenta descobrir o porquê de sentir tanta ódio dentro de si.

O clima opressivo impera na tela e não são raros os momentos em que sentimos um embrulho no estômago. A violência gritante é acentuada pela trilha sonora frenética e pela triste fotografia em preto-e-branco.

Quase todas as ações ocorrem em um conjunto habitacional no sul de Londres e as imagens não são mais atrativas. O nome do filme se refera às faixas de pedestres. Na Inglaterra, como na minha terra, elas funcionam. Se alguém está na faixa, temos que parar enquanto passa.

O elenco está fantástico e a fotografia, também assinada pelo diretor, não fica atrás. O roteiro, muito bem amarrado, é tão duro que além de nos incomodar, faz pensar em como os jovens de hoje estão levando a vida. O principal ponto é a falta de uma estrutura e de um acompanhamento familiar.

A busca por uma explicação do caos no qual se encontra a sociedade, que enfrenta uma crise de falta de humanidade e limites, é muito interessante e acaba percorrendo várias possibilidades. A (falta de) família, carinho, fé e até mesmo religião.

É fácil percebemos que o filme foi feito para chocar. Sua estrutura, a quantidade de cenas de violência e o exagero de muitas situações demonstram bem isso.

Sem nenhuma dúvida, foi uma grata surpresa, mas não é para ser visto assim despreparado. Durante alguns minutos ficamos na sala pensando como vamos nos levantar e sair dali.

Um soco na boca do estômago de qualquer um!

A produção é a estréia do ex-publicitário e roteirista inglês Sam Holland na direção de longas. E ainda pode ser conferido na Mostra, no dia 28/10, às 20h, no Espaço Unibanco 5 (Rua Augusta, 1475).

Um Grande Momento

O dia mais feliz…


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32ª Mostra Internacional de Cinema