(Wrong, FRA/EUA, 2012)

Comédia
Direção: Quentin Dupieux
Elenco: Jack Plotnick, Eric Judor, Alexis Dziena, Steve Little, William Fichtner, Regan Burns, Mark Burnham, Arden Myrin
Roteiro: Quentin Dupieux
Duração: 94 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Wrong conta a história de Dolph Springer, que, ao acordar num dia qualquer, percebe que perdeu a sua razão de viver, seu cachorro de estimação. Preocupado com o desaparecimento, Dolph continua levando sua vida “normal”: despede-se de seu vizinho que está partido para uma viagem de autoconhecimento; tenta descobrir o que aconteceu com a palmeira do quintal que virou um pinheiro; vai trabalhar em uma agência de viagens onde não para chover (do lado de dentro e não de fora) e de onde foi demitido há pelo menos três meses e questiona a logomarca de uma nova pizzaria, por não concordar com um coelho em uma moto.

Cheio de absurdos, o filme é um mosaico de situações estapafúrdias e personagens nonsenses. O vizinho é um viciado em corridas que não consegue admitir seu problema; o jardineiro, um imigrante francês; a atendente de pizzaria se apaixona por Dolph depois da conversa sobre a logo e resolve largar o marido para morar com ele; o investigador de animais tem seu escritório em uma farmácia e métodos estranhos de descobrir o que aconteceu no passado; um guru muito preocupado com os animais que tenta reestabelecer as relações dos humanos com estes e colegas de trabalho que se incomodam mais com a presença do ex-colega do que com a chuva que não para de cair na agência

Depois de Rubber, história de um pneu assassino com poderes telecinéticos, o novo filme do francês Quentin Dupieux até se aproxima mais da realidade, mas mantém o tom surreal tradicional do realizador. Crítico do cinema certinho e funcional que domina o mundo, onde tudo, segundo ele, tem muito mais senso do que a vida real, o diretor opta por uma narrativa mais aleatória, mais parecida com a construção de um sonho, onde nem tudo precisa estar conectado.

A proposta é válida, mas o que funciona muito bem nos primeiros momentos, quando a ideia ainda é uma novidade e desperta a curiosidade, vai perdendo o fôlego e acaba cansando. Uma certeza incômoda de que tudo o que está acontecendo na tela não vai chegar em lugar nenhum vai tomando conta de tudo e é bastante agravada pela participação de Steve Little.

Meio perdido em tantos devaneios, Wrong tem pontos positivos por sua tentativa de inovação e pela critica que faz a alguns contra-sensos contemporâneos quando fala da adoração exagerada por animais de estimação e da substituição de relações humanas por estes, entre outras coisas. Mas os significados variam de espectador para espectador e, no fim das contas, o filme só funciona com aqueles que escolherem se entregar para essa viagem sem muito nexo. Não é a escolha mais fácil.

Um Grande Momento:
Joshua.

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