(Whitey: United States of America v. James J. Bulger, EUA, 2014)

Documentário
Direção: Joe Berlinger
Roteiro: Joe Berlinger
Duração: 107 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

De certo modo, o documentário Whitey: U.S.A. v. James J. Bulger, disponível na Netflix, continua a história contada pelo longa-metragem de ficção Aliança do Crime, dirigido por Scott Cooper, com Johnny Depp vivendo o papel do notório gângster do sul de Boston.

Se o longa ficcional acaba com a prisão de Whitey, depois de 16 anos foragido, o documentário fala sobre o julgamento que aconteceu após a prisão. Além de resgatar toda a estrutura criminosa da gangue Winter Hill e da figura de seu violento chefe, o filme intercala imagens de arquivo e entrevistas de pessoas oprimidas por Whitey ou que tiveram parentes mortos por ele, e foca no ponto mais grave da história: a ligação do criminoso com o FBI, a agência federal de investigação do país.

Com o consentimento de pessoas de dentro do governo, sob uma primeira desculpa de combater a máfia italiana, que começava a se instalar em Boston, a gangue de Winter Hill ameaçou, extorquiu, dominou o comércio e eliminou pessoas consideradas ameaças, sem ser punida por isso.

O documentário confronta opiniões de defensores de Whitey, que sempre negou ter aceitado ser informante do FBI, com os representantes jurídicos do governo. Se de um lado temos um gângster que se sente aviltado por ser tratado como informante, algo mais grave para ele do que todos os crimes que cometeu, do outro vemos uma necessidade do governo em se eximir da culpa, personalizando o ocorrido e culpabilizando indivíduos que usaram uma iniciativa tida como válida para a eliminação do crime organizado: o uso de informantes.

Seguindo nessa dicotomia, o documentário não consegue se manter imparcial, já que alguns depoimentos, principalmente dos procuradores do estado, são mal colocados, como se o diretor quisesse comprovar uma teoria particular já firmada, e com outros, da defesa, que são menos significativos, como quando se expõe o livro de “contribuições” de Whitey ao FBI.

Mas há muita coisa boa no filme, como o meio como o diretor Joe Berlinger (O Paraíso Perdido: Assassinatos de Crianças em Robin Hood Hill) consegue contornar a impossibilidade de registrar o julgamento em vídeo, e acontecimentos que tiveram a sorte de ser registrados, como o depoimento do ex-agente do FBI John Morris, que afirmou receber pagamentos em dinheiro do réu; a opinião popular sobre o afastamento do então diretor da agência em Massachusetts Robert Fitzpatrick, primeiro a querer indiciar Whitney; e a fatalidade inexplicada com um dos entrevistados.

Além disso, não deixa de ser interessante conhecer um pouco mais da história de um dos maiores esquemas criminosos dos Estados Unidos, comandado por um homem frio e sem freios, e a corrupção que possibilitava seus atos, comprando até quem deveria ser incorruptível.

Um Grande Momento:
O depoimento de John Morris.

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