(Whiplash, EUA, 2014)

Drama
Direção: Damien Chazelle
Elenco: Miles Teller, J.K. Simmons, Paul Reiser, Melissa Benoist, Austin Stowell, Nate Lang, Chris Mulkey, Damon Gupton
Roteiro: Damien Chazelle
Duração: 106 min.
Nota: 9 ★★★★★★★★★☆

Quando falamos de filmes sobre músicos que se destacam, não é estranho que os primeiros títulos que venham à cabeça tragam figuras que nasceram sabendo tudo o que precisavam para tocar de maneira impressionante e encantadora. Mesmo que tenham algumas dificuldades na vida e sofram pela sensibilidade exacerbada, aquilo parece deixar sua música ainda mais bela. Whiplash vai por um caminho completamente diferente.

Confirmando a máxima de que a música é 5% inspiração e 95% transpiração, o filme aproxima-se da realidade ao demonstrar que até mesmo os virtuoses – aqueles que nescem com o dom – precisam se dedicar e se esforçar até o limite de suas forças para chegar onde desejam.

No longa-metragem, o jovem bateirista Andrew dá duro para alcançar a qualidade dos grandes nomes do jazz. Aluno da Shaffer, melhor escola de música dos Estados Unidos, ele faz parte da orquestra de jazz iniciante e não vê a hora de deixar a banqueta de assistente para assumir as baquetas. Em um de seus ensaios, conhece um dos mais temidos professores da escola e vê aí sua chance de mostrar tudo o que sabe.

Não precisa conhecer muito de música, ou ter a consciência do esforço necessário pela arte, para se deixar envolver pelo que se vê na tela. Encarar a música como um desafio pessoal, sempre em busca da superação de limites e numa realidade muito mais parecida com os treinamentos físicos dos esportistas de ponta é uma abordagem para lá de interessante.

Somando ao resultado, estão a fotografia de Sharone Meir e as atuações de Miles Teller, como o jovem bateirista, e de J.K. Simmons, sensacional como o professor extremo e desequilibrado. Tudo muito bem arrematado pela montagem precisa de Tom Cross. Sem falar na trilha sonora de Justin Hurwitz e nas deliciosas presenças dos clássicos do jazz Caravan, de Duke Ellington, e a música que dá nome ao filme, Whiplash, de Hank Levy.

Apesar de algumas facilidades e de escapadas do roteiro, o tema é fascinante. Encarar o outro lado da arte, cheio de frustrações e diferenças milimétricas que determinam a perfeição vale cada minuto da projeção. Junto com o personagem, o desejo do espectador é que todo aquele suor se reverta em sucesso.

Para ver, ouvir e se deleitar.

Um Grande Momento:
O solo.

Logo-Oscar1Oscar 2015
Melhor Ator Coadjuvante (J.K. Simmons), Melhor Montagem (Tom Cross), Melhor Mixagem de Som

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[Festival do Rio 2014]