(Granny’s Dancing on the Table, SWE, 2015)

Drama
Direção: Hanna Sköld
Elenco: Blanca Engström, Lennart Jähkel
Roteiro: Hanna Sköld
Duração: 89 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Uma das graças de acompanhar grandes mostras é entrar em filmes sem saber o que esperar deles. Com Vovó Está Dançando na Mesa, as únicas informações eram o título, a duração e o país de origem. Parecia se tratar de mais uma comédia de absurdos nórdica, mas isso não poderia estar mais incorreto.

A descoberta acontece logo na primeira cena, quando uma menina com o rosto bastante machucado começa a contar a triste história de sua família. Era diferente do que se esperava, mas mesclando atuações em live action e stop motion, a diretora Hanna Sköld (Nasty Old People) consegue a atenção de quem está na sala de projeção.

O longa-metragem discute um tema importantíssimo e atual, a violência contra a mulher. Comum no mundo inteiro, o problema é crítico nos países nórdicos. Segundo dados de 2014 da Agência de Direitos Fundamentais da União Europeia, a Suécia é o segundo que mais pratica esse tipo de violência, ficando atrás apenas da Holanda e superando Finlândia e Dinamarca, que vêm logo em seguida na listagem.

Em Vovó Está Dançando na Mesa, a violência é retratada de maneira muito incisiva, principalmente quando a representação se dá pelas animações que trazem à tela o passado daquelas duas pessoas. A perpetuação do comportamento abusivo e da submissão são o que mais incomoda.

Além dos flashbacks animados, Sköld aposta em elementos comuns na criação da angústia, como cenas mais escuras, uma quase ausência de cor e um jogo interessante que mescla os efeitos sonoros à trilha sonora.

A opção pela narração em off, que poucas vezes dá lugar à interação dos personagens, funciona bem e traz o distanciamento necessário para que se perceba a grande contradição da protagonista, que quer sair da situação, mas não vê como fazê-lo.

Apesar de tudo no lugar certo e de despertar as emoções desejadas, o longa se perde um pouco no ritmo no segundo ato e só consegue se recuperar depois de uma sequência chocante, que pouco se adequa ao que estava sendo visto até então. Mas nada que comprometa o resultado final.

Diferente do conterrâneo Flocking, há em A Vovó Está Dançando na Mesa uma perspectiva otimista na interessante metáfora da mudança, do não olhar para trás e do não ter mais como voltar àquele ponto. Um tardio mas fundamental despertar da mulher, onde situações como essa não podem ser toleradas. Triste, mas necessário.

Um Grande Momento:
Mão.

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