(Vingança, BRA, 2008)

Suspense

Direção: Paulo Pons

Elenco: Erom Cordeiro, Branca Messina, Bárbara Borges, José de Abreu, Marcio Kieling, Miguel Nader, Emiliano Ruschel, Guta Stresser, Daniel Callon

Roteiro: Paulo Pons

Duração: 84 min.

Minha nota: 4/10

O segundo escolhido da noite na Mostra foi o mais fraco. Dirigido por Paulo Pons o filme tem seu grande destaque no formato, todo digital, e na possibilidade de produções mais rápidas e baratas. Em uma época que qualquer filme custa mais de um milhão, poder construir uma história com apenas R$ 100 mil conta muito.

Camila é violentada na beira de um rio em uma pequena cidade do Rio Grande do Sul. Tempos depois, Miguel, um gaúcho solitário, chega ao Rio de Janeiro e começa a seguir uma garota independente, Carol, por todos os lugares. Um dia, ela nota sua presença e vai se apresentar. Os dois acabam se envolvendo. Mas não é só isso que Miguel quer com ela.

A história é boa e poderia render mais caso alguns aspectos fossem observados. Para começar, a primeira cena é, além de longa demais, mal interpretada por uma Bárbara Borges esforçada, mas meio perdida. Outras cenas também são longas demais, como as de Carol e Miguel sozinhos, e outras soam inverossímeis, como o ataque ao amigo brutamontes.

O bom elenco consegue dar a aura tensa do filme, mas só eles o fazem. De repente um maior cuidado com a trilha sonora poderia mudar tudo. Não que a trilha de Dado Villa-Lobos seja ruim, mas não é adequada ao enredo e, por mais de uma vez, parece não acompanhar o que vemos na tela.

Outro problema é velho conhecido do cinema nacional: o som! Enquanto algumas passagens são baixas demais, outras ficam estouradas. Por um bom tempo de filme, todas as falas de Guta Stresser são altas demais e totalmente destoantes das falas dos outros atores que contracenam com ela.

Para finalizar o rol de reclamações estão alguns clichês de filmes de suspense, gênero almejado mas não alcançado pelo longa. O sumiço do desacordado, a faca apertada contra a mão e o telefonema da porta do hotel são repetições de cenas já tão batidas que poderiam ter sido omitidas.

Mas nem tudo é tão ruim assim. Como já disse antes, o elenco está bem, com destaque para os não tão conhecidos Erom Cordeiro e Branca Messina.

Mesmo depois do resultado negativo, fica uma impressão de que o diretor Paulo Pons ainda não conseguiu chegar onde queria, mas está no rumo certo. Resta conferir os outros filmes do seu projeto de longas de baixo orçamento divido em quatro filmes: Vingança, Espiral (já rodado), Os Realizadores e A Hora Mágica.

O filme ainda pode ser conferido no próximo dia 26, no espaço Reserva Cultural (Avenida Paulista, 900), às 16h40.

Um Grande Momento

Apesar dos pesares, a participação de José de Abreu é excelente! O grande momento fica por conta dele, quando diz que o Rio de Janeiro não é lugar para um velho gaúcho.

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