Dentre as muitas palavras que poderiam descrever Martin Scorsese, apaixonado talvez seja a melhor delas. Sua paixão pelo cinema, pela construção de histórias através de imagens, é cristalina até para os que prestam pouca atenção e se comprova nos filmes que cria e em ações ligadas à sétima arte, como a presidência da Film Foundation, fundação sem fins lucrativos destinada à preservação de filmes mudos.

Mas existe uma outra paixão que não consegue se esconder quando o assunto é Martin Scorsese: a música. Editor do documentário Woodstock, sobre o festival que marcou a história do rock e da geração dos anos 60, Scorcese também presenteou o público com The Last Waltz, talvez um dos melhores documentários de rock já feitos, sobre o último concerto do The Band, antes da primeira separação do grupo.

Ele ainda falou sobre Bob Dylan em No Direction Home, os Rolling Stones em Shine a Light e o Beatle George Harrison em Living in the Material World, além de dirigir o videoclipe Bad, de Michael Jackson. Como produtor (e diretor de um dos episódios), Scorsese lançou, em 2003 uma deliciosa série de documentários sobre o blues. Entitulada de The Blues, com sete episódios, a série foi lançada este ano no Brasil pela distribuidora Vinny Filmes.

Dirigidos por nomes conhecidos do cinema, os títulos da série são:

Feel Like Going Home, dirigido pelo próprio Martin Scorsese

No primeiro de sete episódios da série The Blues, Martin Scorsese acompanha o músico Corey Harris em sua viagem desde o Mississipi (EUA) até o Oeste da África, e seus encontros com diferentes artistas de Blues.

The Soul of a Man, dirigido por Win Wenders

Win Wenders (Buena Vista Social Club) e sua câmera seguem alguns dos músicos favoritos do diretor – Skip James, Blind Willie Johnson e J.B. Lenoir – e contam um pouco da trajetória de vida deles e de sua música. Este longa-metragem inclui imagens raras de arquivo e algumas performances de artistas atuais, que interpretam os sucessos desses três ícones do Blues.

The Road to Memphis, dirigido por Richard Pearce

Richard Pearce (dos filmes Sem Perdão) conta a trajetória de um dos músicos mais famosos da história do Blues, o fantástico B.B. King. A vida deste lendário artista da guitarra é um épico e dela nasceu um novo estilo dentro do Blues. Este filme também é uma homenagem à região de Memphis, nos EUA, que serviu de berço para diversos músicos de destaque, como Elvis Presley e Jerry Lee Lewis.

Warmin by the Devil’s Fire, dirigido por Charles Burnett

Dirigido por Charles Burnett (premiado em Berlim por Killer of Sheep), o longa-metragem tem um toque bastante particular a respeito da região em que grandes músicos de Blues nasceram e se tornaram lendas – o Mississipi. Burnett, também nascido nesta região, conta a história do reencontro de um garoto com sua família nos anos 1950 e mostra a influência dos artistas Gospel no Blues até os dias de hoje, criando uma aura divina que contrasta com o ar diabólico de alguns acordes.

Godfathers and Sons, dirigido por Marc Levin

Com direção de Marc Levin (documentarista ganhador do Emmy), o longa-metragem mostra a saga de Chuck D (do Public Enemy) e Marshall Chess (da Chess Records), dois profissionais atuais do cenário musical dos EUA, em sua viagem a Chicago para tentar reunir grandes veteranos do Blues em um projeto que visa revitalizar o gênero mesclando características do hip hop ao clássico som mestres instrumentistas.

Red, White and Blues, dirigido por Mike Figgs

Red, White and Blues é o sexto de sete episódios da coleção The Blues. Sob a direção de Mike Figgis (Indicado a 2 Oscar® por Despedida em Las Vegas), os músicos Jeff Beck, Van Morrison, Eric Clapton e Tom Jones tocam e debatem o cenário musical dos anos 1960, em que a Inglaterra invadiu o mundo e devolveu aos EUA o gosto popular pelo Blues. O cenário musical londrino estava no auge durante o período pós-Segunda Guerra Mundial e o movimento de recuperação dos gêneros clássicos locais criou o terreno perfeito para que o Blues ressurgisse com toda a força na cultura atual norte-americana. Este filme reúne entrevistas, depoimentos e cenas de apresentações de grandes artistas do Blues.

Piano Blues, dirigido por Clint Eastwood

Clint Eastwood, que além de dirigir e atuar no cinema é um pianista de mão cheia, explora sua paixão pelo Blues tocado no piano e realiza entrevistas com veteranos do instrumento no gênero e traz de volta uma série de imagens de arquivo que contam um pouco mais sobre a presença marcante do piano na história do Blues. Entre os artistas que se apresentam ao lado do diretor estão Pinetop Perkins, Jay McShann, Dave Brubeck e Marcia Ball. Para fechar com chave de ouro!