(Vai Que Dá Certo, BRA, 2013)

Comédia
Direção: Maurício Farias
Elenco: Felipe Abib, Gregório Duvivier, Natália Lage, Lúcio Mauro Filho, Lúcio Mauro, Bruno Mazzeo, Danton Mello, Fábio Porchat
Roteiro: Maurício Farias, Alexandre Morcilo, Fábio Porchat
Duração: 87 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

A comédia está em todo lugar. Programas televisivos especializados no gênero, minisséries, apresentações de stand up, peças teatrais, personagens caricatos em produções de outros gêneros, pretensos jornalistas comediantes e canais do YouTube são sucesso de audiência. É quase tão certo que vão dar retorno que o investimento em coisas diferentes acaba ficando para depois e raramente acontece.

Tão presente em outras áreas, o mesmo também acontece no cinema. À margem da produção autoral e por muitas vezes excessivamente contaminado pela influência televisiva, são esses os destaques de bilheteria nas salas nacionais.

Depois de sucessos como Se Eu Fosse Você e De Pernas pro Ar, ambos com sequências também de sucesso, de Até que a Morte nos Separe e E Aí Comeu? e outros, a dominância do gênero não pode ser ignorada. E, com cifras tão altas, seguimos fazendo comédias por aí.

No mais recente Vai Que Dá Certo, nomes de vários atores de destaque no gênero se reúnem para contar a história de uma turma de amigos quebrados que resolve roubar um carro forte para tentar melhorar de vida.

Do maior sucesso do momento, o canal do YouTube Porta dos Fundos, Gregório Duvivier e Fábio Porchat vivem dois irmãos donos de uma locadora de games quase sem clientes; da série nacional A Grande Família, Lúcio Mauro Filho e Natália Lage são o empregado da tranportadora e a amiga gostosa, respectivamente; Danton Mello, que recentemente estrelou o especial televisivo Como Aproveitar o Fim do Mundo, acabou de perder a mulher, o emprego de pianista em um bar e precisa voltar para a casa da mãe. Para completar, Bruno Mazzeo vive o amigo coxinha da escola, que agora é candidato a deputado e de quem poucos gostam.

O filme tem uma boa história, boas situações e provoca risos fáceis, mas tem dois problemas sérios. O mais grave talvez seja o ritmo de sua primeira parte e a consequente demora para pegar no tranco, mas mais incômodo é, sem dúvida, a péssima escolha pela regionalização da trama. O sotaque paulista forçado atrapalha as atuações e acaba chamando muito mais atenção (uma atenção negativa) do que os próprios acontecimentos.

É incrível como uma coisa que pode parecer boba e insignificante, um mero detalhe, possa incomodar tanto. E, o pior, não tem motivos para ser assim. O filme não prescinde de regionalização, não precisa de São Paulo para se concretizar e a opção não faz o filme mais engraçado. Muito pelo contrário.

Mas, apesar disso, funciona. A boa história sabe se aproveitar de piadas eficientes e sem exageros e do humor tipicamente brasileiro. Mostrando que o gênero pode sofrer muitas críticas por parte dos que tentam resistir a ele, mas é uma característica nacional. E se é o que sabemos e gostamos de fazer, por que não? Vai que dá certo…

Um Grande Momento:
O petit gateau.

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