(A Better Life, EUA, 2011)

Drama
Direção: Chris Weitz
Elenco: Demián Bichir, Joaquín Cosio, José Julián, Nancy Lenehan, Gabriel Chavarria, Bobby Soto, Chelsea Rendon
Roteiro: Eric Eason, Roger L. Simon
Duração: 98 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Logo nos primeiros minutos de Uma Vida Melhor, a sensação é a de que, dentro em breve, estaremos vivendo toda a angústia desesperançosa de filmes como Babel. O trauma causado pelas produções passadas pode desanimar, mas   o filme tem um charme que consegue prender de alguma maneira.

O tema não poderia ser mais batido: imigrante ilegal mexicano busca uma vida melhor para ele e o filho adolescente trabalhando sem documentos para gente com mais dinheiro nos Estados Unidos.

Carlos, vivido esplendidamente por Demián Bichir, é um homem bom e honesto, que foi obrigado a criar sozinho o filho depois que a esposa o abandonou e não sabe mais o que é dia de folga, férias ou feriado. Ele trabalha como jardineiro para outro imigrante que está prestes a voltar para o México e vê na possibilidade de comprar a caminhonete do patrão um meio de, finalmente, conseguir juntar o dinheiro que queria.

O filho Luis (José Julian) está naquela fase chata da adolescência, onde a negação e o desprezo pelo pai se alternam com a revolução hormonal, a falta de noção e o senso de impunidade comuns da idade. Com a iminência de entrar em uma daquelas gangues de marginais para piorar a situação.

A sequência de acontecimentos clichês e um quê de telefilme no início podem afastar o interesse, mas atuações precisas e o rumo geral que o roteiro vai tomando acabam falando mais alto e apagando as primeiras impressões. Principalmente depois da virada, quando o filme vira uma espécie de versão chicana de Ladrões de Bicicleta.

É difícil não se render a cenas como a primeira vez que Carlos dirige a recém-adquirida caminhonete pela cidade ou à caminhada do jovem Luis pela madrugada ao som de  California, do rapper Akwid. Ou não se encantar pela viagem interior que ambos fazem no rodeio, com o resgate do mais novo às suas origens e o retorno mental do pai à sua terra natal, sublimemente transmitida através de um olhar.

Outras qualidades chegam para somar no resultado final, como a trilha sonora de Alexandre Desplat e a participação de Carlos Linares que, embora pequena, é cheia de significado.

Ainda que tenha momentos bons e um roteiro que sabe brincar com sua previsibilidade, manipulando expectativas, o filme ainda padece com a obviedade de sua história. E também se estende mais do que o necessário no final. Mas, sem dúvida, merece ser descoberto.

Uma curiosidade: o filme é dirigido por Chris Weitz, que mistura em sua filmografia títulos como Um Grande Garoto e A Saga Crepúsculo: Lua Nova.

Um Grande Momento

Carlos perdido em pensamentos no rodeio.

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