(Un Été Brûlant, FRA/ITA/SUI, 2011)

Drama
Direção: Philippe Garrel
Elenco: Monica Bellucci, Louis Garrel, Céline Sallette, Jérôme Robart, Vladislav Galard
Roteiro: Marc Cholodenko, Philippe Garrel, Caroline Deruas-Garrel
Duração: 95 min.
Nota: 3 ★★★☆☆☆☆☆☆☆

Um Verão Escaldante conta a história do casal Angèle e Frédéric com todas as nuances típicas de relações passionais e sustentadas pelo culto à musa. As cenas longas e lentas que abrem a produção antecipam o tom do que vem a seguir. É um filme onde se fala muito, sobre muitas coisas e não se chega a lugar algum.

Dirigido por Philippe Garrel (Amantes Constantes), a obra é estrelada pelo seu filho, Louis Garrel (Os Sonhadores) e pela beldade Monica Bellucci (Irreversível). Angèle e Frédéric estão passando uma temporada em Roma por causa do trabalho dela como atriz. Ele é um artista plástico que parece ter como lema viver de sua arte e de amor. Durante este período, hospedam o casal Élisabeth (Céline Sallette) e Paul (Jérôme Robart) e a partir da convivência do quarteto, questões íntimas do casal são expostas na tela.

A narrativa feita pelos olhos de Paul tem como intenção não deixar o espectador se aproximar dos protagonistas do filme. Assim como o narrador, temos acesso a fragmentos da história do artista e da atriz. Somos apresentados a um relacionamento desgastado, beirando o doentio, vivenciado por um homem extremamente possessivo e ciumento que é apaixonado pelo conceito de musa que ele e as pessoas ao redor, criaram sobre a sua mulher. E assim, no exercício da função de musa, ela é a sua fonte de inspiração.

Mas como nenhum relacionamento se sustenta em idealismos, a carência de elementos estruturais fica evidente, dando abertura a traições, subjulgações, jogos e chantagens emocionais. Uma série de discussões entra em cena. Muita falação, muita teorização, muito sofrimento, desabafos com amigos e finalmente a queda do mito de seu pedestal. Este, que deveria ser o momento chave do filme, perde sua função, devido à enorme chateação que é ver Frédéric se lamentando, preso em seus pensamentos circulares, posando de artista angustiado.

Em Um Verão Escaldante, Bellucci não convence como musa. É uma mulher lindíssima, fotografa maravilhosamente bem, mas a deficiência está no roteiro. Sua personagem é travada, limita-se a ser sedutora muito mais pelo que o espectador ouviu falar dela, do que pelo que realmente ela mostra em tela. As inferências do narrador sobre Angèle são falhas, não conseguem amparar a tese de seu comportamento ser a causa de tanta lamúria por parte de Frédéric.

Garrel erra. Os dois. Tanto o pai quanto o filho. O pai por não conseguir dar a profundidade psicologica aos protagonistas da trama da forma que foi aventada nas cenas iniciais da projeção e principalmente por focar a maioria das cenas em Louis. Já o filho, peca por limitar a sua atuação e adotar a postura, em praticamente todas as cenas, exageradamente angustiada.

Haja paciência para aguentar os 95 minutos de trama que parecem durar mais de três horas. O filme é muito cansativo. Mal resolvido, não soluciona completamente as questões que apresenta. Nem a presença de um interessante jogo de enquadramento de câmera e a da maneira como o roteiro foi bem separado em blocos, numa tentativa de trazer fôlego à história, são suficientes para que o filme deixe de ser frio, vazio e enfadonho.

Um Grande Momento

Não chega a ser um momento, mas uma frase: “No amor, cada um é por si”.

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