(The Shawshank Redemption, EUA, 1994)

Drama
Direção: Frank Darabont
Elenco: Tim Robbins, Morgan Freeman, Bob Gunton, William Sadler, Clancy Brown, James Whitmore
Roteiro: Stephen King (romance), Frank Darabont
Duração: 142 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

“Esforçar-se para viver ou se esforçar para morrer”. A frase de Red, personagem de Morgan Freeman, é a que melhor define as perspectivas dos internos de Shawshank, penitenciaria estadual regida pelo corrupto e autoritário Warden Norton (Bob Gunton). Red cumpre pena de prisão perpétua por homicídio, e é conhecido por ser o homem que controla o mercado negro dentro da prisão. Enquanto assistem a chegada de novos internos, Red e seus amigos fazem apostas, tentando adivinhar qual daqueles novatos será o grande “vencedor”, ou seja, entrará em desespero e chorará logo em sua primeira noite no novo lar.

Red aposta em Andy Dufresne (Tim Robbins) pois, segundo ele, sua primeira impressão sobre Andy foi a de que ele não era muito confiante. Andy, um banqueiro promissor, fora condenado à pena de morte pelo assassinato da mulher e seu amante. Sem saber, naquele momento estava nascendo a amizade entre eles. Os dois discordam veementemente sobre a esperança. Enquanto Red a julga perigosa e mortal, Andy se apega a esse sentimento para sobreviver dentro dos muros de Shawshank.

Um Sonho de Liberdade é o primeiro filme dirigido por Frank Darabont, que mais tarde seria o responsável por filmes como À Espera de um Milagre (1999), Cine Majestic (2001) e O Nevoeiro (2008), o primeiro e o último também adaptados da obra de Stephen King.

Considerado um fracasso de bilheteria, Um Sonho de Liberdade conquistou seu espaço através do boca a boca do público e da febre e influência das videolocadoras à época. Hoje, mais de 20 anos depois, pode ser considerado um “novo clássico”.

Se tecnicamente não apresenta nada inovador, é pelo apelo sentimental da história e, claro, pelo roteiro que cumpre com esse objetivo, que podemos dizer ser um longa obrigatório às novas gerações de cinéfilos ou aos que apenas apreciam um bom filme.

O longa aparece na primeira colocação da lista dos 250 melhores filmes do site IMDb, com a mesma nota de O Poderoso Chefão, mas com um maior número de pessoas que já assistiram ao filme. Além de fazer parte da lista do American Film Institute com os 100 melhores filmes norte-americanos de todos os tempos, na 72ª posição.

As razões que fazem de Um Sonho de Liberdade um filme ímpar, são menos analíticas ou técnicas, embora seja até hoje o melhor trabalho de Darabont. Ali tudo funciona bem: trilha sonora, roteiro muito bem construído com diversas reviravoltas e ótimos diálogos. A narração em off feita por Morgan Freeman é inspirada no longa Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese.

Também se destaca a fotografia fria e sua direção, que faz a câmera percorrer os muros, escadas e os movimentos dos homens dentro daquele “ecossistema”, complexo e duro. Em meio a buscas pelo belo e às vezes poético, jamais o cruel, sujo e a dureza da vida naquele lugar são deixados de lado.

Contudo, é o clamor que vem da história e as atuações de Tim Robbins e Morgan Freeman, indicado ao Oscar daquele ano, que cativam e fazem Um Sonho de Liberdade ser um filme tão querido do grande público. Aliado a um final surpreendente, engenhoso e marcante, a história contada por Stephen King e Frank Darabont, consegue trilhar caminhos de temas clichês (liberdade, esperança, sonhos) sem cair no maneirismo ou ser piegas.

Com várias indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro, Um Sonho de Liberdade terminou de mãos vazias, o que não representa nenhum demérito, já que filmes como Forrest Gump: O Contador de Histórias e Pulp Fiction: Tempo de Violência estavam no páreo. Mesmo assim, foi indicado ao Oscar de Melhor Ator, Roteiro Adaptado, Fotografia, Edição, Trilha Sonora Original e Som.

Um Grande Momento:
Red em liberdade.

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