(Concussion, GBR/AUS/EUA, 2015)

Drama
Direção: Peter Landesman
Elenco: Will Smith, Alec Baldwin, Albert Brooks, Gugu Mbatha-Raw, David Morse, Arliss Howard, Mike O’Malley, Eddie Marsan, Hill Harper, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Stephen Moyer, Richard T. Jones, Paul Reiser, Luke Wilson, Matthew Willig, Sara Lindsey
Roteiro: Peter Landesman
Duração: 123 min.
Nota: 3 ★★★☆☆☆☆☆☆☆

Qualquer história pode virar um bom filme. Seja ela rasa, fraca, pouco relevante ou incompleta – ou o extremo oposto -, sempre há meios de transformar aquilo que se conta, criar laços com os espectadores e alcançar o objetivo de entreter aquele grupo de pessoas que pagou o ingresso para ver a sessão do filme. Não é o que acontece, nem de longe, com Um Homem entre Gigantes.

Potencialmente mais relevante nos países onde o futebol americano é mais valorizado, o longa conta a até interessante história da descoberta do Dr. Bennet Omalu de que as repetidas pancadas nas cabeças dos jogadores daquele esporte causam uma doença cerebral: a CTE, ou Encefalopatia Traumática Crônica. Porém, o filme acaba se perdendo na própria melosidade e não consegue nem narrar os acontecimentos de forma eficiente, nem funcionar como uma biografia interessante.

O longa começa com uma edição de imagens do discurso do center – jogador central que comanda a linha ofensiva de um time – do Pittsburgh Steelers, Mike Webster, com jogadas impressionantes dele no passado. Diferente da euforia natural de qualquer vídeo de esporte, o que chama a atenção é a péssima maquiagem de David Morse e a falta de envolvimento do ator com aquilo que ele está dizendo.

Logo depois conhecemos o Dr. Bennet Omalu, patologista forense e neuropatologista, sentado no banco de testemunhas em algum tribunal de Pittsburgh. A cena onde ele expõe o seu currículo é arrastada e chama a atenção para os muitos cacoetes que Will Smith lançou mão para construir seu personagem. E é algo que não muda durante todo o filme.

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Um Homem entre Gigantes começa, então, do jeito que um filme não deveria começar: afastando os espectadores e fazendo com que eles reparem em coisas que não poderiam ser notadas. Esse primeiro envolvimento é muito importante e, quando não acontece, é difícil reverter a situação.

O roteiro até tenta, mas não consegue se desvencilhar do emaranhado que ele mesmo criou. Sobram reações incompatíveis do personagem com a forma como ele foi forçadamente desenvolvido. Além da cansativa abordagem para a disputa entre Omalu, defendendo sua descoberta, e os gigantes da NFL (Liga Nacional de Futebol Americano).

Assim, sobra pouca paciência do lado de cá da tela para apelações do tipo “não fui bom o suficiente para você” ou “quando você vai ver que eu estou do seu lado?”; para a colcha de retalhos costurada na montagem com as inserções de Webster, por exemplo, e para as muitas caras e bocas de Smith numa tentativa equivocada de transformar seu personagem em uma figura tão doce que chega a enjoar.

No set, falta controle a Peter Landesman. Mesmo com um elenco com bons atores, as atuações estão dessincronizadas, como se não houvesse nenhuma relação daqueles que estão em uma mesma cena. Um claro exemplo disso pode ser visto na cena que deveria ser a mais tocante da relação entre Dr. Omalu e Dr. Julian Bailes, vivido por Alec Baldwin. Enquanto Baldwin parece não conseguir olhar nos olhos de seu interlocutor, Smith está preocupado demais em fazer o seu olhar perdido.

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Olhares perdidos também não faltam à Gugu Mbatha-Raw no papel da esposa do protagonista. Mas talvez seja ela, acompanhada por Mike O’Malley, companheiro e rival de Omalu no necrotério, e Sara Lindsey, a enfermeira ajudante, os que apresentam atuações menos exageradas. Não pode se dizer o mesmo dos bons Albert Brooks – este ainda prejudicado pela maquiagem – e Eddie Marsan.

Indo além das atuações, Landesman também se atrapalha na construção visual. Há um excesso descabido de planos detalhes – que destacam partes específicas do corpo de Omalu – e um certo quadradismo na hora de idealizar o plano em si. Tudo muito falso e pouco envolvente. A falta de direção afeta também o trabalho de Salvatore Totino, diretor de fotografia, que, no ano passado, surpreendeu com Evereste, mas aqui se atrapalha bastante com a iluminação, que não segue nenhum padrão específico.

Depois de começar mal e passar mais de duas horas tropeçando em si mesmo, Um Homem entre Gigantes, como não poderia deixar de ser, termina de maneira frustrante. Um daqueles casos em que nem mesmo os mais íntimos com o esporte e/ou a história conseguirão se envolver de verdade. E pensar que Will Smith ficou chateado por não ter sido indicado por uma atuação dessas, num filme desses…

Um Grande Momento:
Não há.

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