(Um Filme de Cinema, BRA, 2015)

Documentário
Direção: Walter Carvalho
Elenco: Béla Tarr, Ruy Guerra, Julio Bressane, Lucrecia Martel, José Padilha, Benedek Fliegauf, Jia Zhangke, Gus Van Sant, Ken Loach, Ariano Suassuna, Karim Aïnouz, Andrzej Wadja, Hector Babenco, Asghar Farhadi, Salvatore Cascio.
Roteiro: Walter Carvalho
Duração: 111 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Do espectador, a paixão pelo cinema. Do realizador, a busca pelo cinema. Nas ruínas de uma velha sala, rostos antigos como ela se alegram a ver o que se projeta na tela e, em vários lugares do mundo, diretores tentam definir e explicar a arte, o seu ofício. Em um projeto que demorou mais de uma década, mesclando imagens ficcionais próprias com depoimentos dos diretores com quem esteve no set fazendo a fotografia e, mais tarde, com diretores que admira, Walter Carvalho e seu Um Filme de Cinema expõem o cinema de uma forma interessante e diferente do que se espera.

Entre os diretores convidados estão Béla Tarr, Lucrecia Martel, Ruy Guerra, Jia Zhangke, Karin Aïnouz, Gus Van Sant, Júlio Bressane, Ken Loach e Asghar Farhadi. Eles discorrem sobre os elementos fílmicos, começando por determinar o sentido do plano e sua importância na construção de uma história. Também falam sobre ritmo e tempo, som e imagem, e terminam expondo a falta de limites entre criador e criatura na relação estabelecida entre si próprio e sua obra.

Enquanto quem fala pensa o cinema, Carvalho vai costurando ideias de maneira instigante e fazendo com que os mais interessados pela sétima arte, principalmente os estudiosos, não queiram sair daquele universo. Ainda que alguns depoimentos causem alguma estranheza e barreira pela imagem e pelas palavras, como é o caso de Hector Babenco, o filme flui bem nas contraposições de ideias. Mesmo o mais deslocado dos convidados tem seu papel ao demonstrar as muitas possibilidades de cinema, comercial ou não.

Filosófico, o projeto traz ao espectador um lado da arte nem sempre levado em consideração, o lado inquieto e dedicado do autor, que cria obras e, embora tenha seu método, seus desejos e crenças, nem sempre consegue compreender ou controlar o próprio processo. É como se a arte estivesse sempre sendo aprendida, aprimorada, e tivesse o poder de mudar o que a cerca.

Indo além dos depoimentos de realizadores, Carvalho tenta levar à tela sua paixão pelo cinema. Para isso, entremeia os depoimentos com as imagens do velho cinema que recebe o público metaforicamente e não consegue resistir a inserir o depoimento de Salvatore Cascio, o ator que deu vida ao pequeno Totó em Cinema Paradiso, e de Ariano Suassuna, que relembra suas primeiras experiências em uma sala de cinema. São dois momentos interessantes, sem dúvida, mas ficam perdidos no contexto.

Apesar disso, não deixa de ser uma experiência interessantíssima para amantes do cinema, principalmente aqueles que querem entendê-lo. Não que consigam depois dos créditos, ao invés disso ficarão mais curiosos, e é aí que está a grandeza de Um Filme de Cinema.

Um Grande Momento:
Béla Tarr.

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[48º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro]