(One Flew Over the Cuckoo’s Nest, EUA, 1975)

Drama
Direção: Milos Forman
Elenco: Scatman Crothers, Mwako Cumbuka, Danny DeVito, William Duell, Josip Elic, Lan Fendors, Louise Fletcher, Nathan George, Ken Kenny, Mel Lambert, Sydney Lassick, Christopher Lloyd, Dwight Marfield, Ted Markland, Louisa Moritz, Jack Nicholson, Brad Dourif
Roteiro: Ken Kesey (romance), Dale Wasserman (peça), Bo Goldman, Lawrence Hauben
Duração: 133 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Um Estranho no Ninho, dirigido por Milos Forman, é o relato baseado no livro de Ken Kesey sobre sua vivência como funcionário de um hospital psiquiátrico. Trata não apenas da loucura, mas faz uma dura crítica às instituições responsáveis por prestar esse serviço e, principalmente, uma crítica às repressões, sejam elas de direita, “limpas”, bem construídas e pautadas em tradições, ou à repressão que vem disfarçada de revolução.

Em sua história pessoal, Milos nasceu na hoje extinta Tchecoslováquia e seus pais foram mortos em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Exilado nos Estados Unidos por volta de 1968, após invasão Soviética em seu país, o diretor recomeçou sua vida e carreira. Depois de Um Estranho no Ninho pelo qual ganhou o Oscar de melhor diretor, filmou ainda Amadeus e O Povo Contra Larry Flynt, em ambos os casos contando histórias de homens que lutavam contra o sistema e contestavam os ditos “bons costumes”.

A historia do longa conta a saga de Randle em sua “temporada” no hospital psiquiátrico. Acusado de diversos crimes, inclusive estupro, Randle estaria fingindo ser um louco para sair do sistema penitenciário. É o que as autoridades querem saber. Desta forma cabe a enfermeira Ratched e sua equipe dar o diagnóstico sobre o novo paciente.

Embora as atenções estejam no duelo entre os personagens de Nicholson e Fletcher (e claro suas interpretações), todo o elenco faz um trabalho incrível. Alguns, até então desconhecidos, construíriam mais tarde uma carreira elogiável, como é o caso de Brad Dourif, Christopher Lloyd e Danny DeVito. Para completar, na figuração o diretor usou alguns doentes mentais, o que mantém um clima denso a todo instante, seja lá para onde a câmera for.

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Os diálogos são igualmente tensos e, quando a palavra está com Randle (Jack Nicholson) ou Mildred Ratched (Louise Fletcher), carregados de ironia e sarcasmo, o que denota a “guerra fria” entre os dois. As locações acontecem, em 90% do filme, dentro do hospital, exceto por uma única sequência em que Randle leva seus amigos para um passeio.

A fotografia bastante clara, usando uma luz opaca que basicamente vem de fora do prédio, nos lembra timidamente que há um mundo lá fora, mas proibido para aquelas pessoas.

Jack Nicholson e Louise Fletcher levaram o Oscar por suas atuações. O interessante é que, se a enfermeira chefe Mildred Ratched é a figura autoritária com requintes de sarcasmo e crueldade, Randle faz a figura do “revolucionário” que no entanto não defende nenhum ideal verdadeiro, mas apena os seus interesses.

Por caminhos diferentes e ações que parecem diferentes, ambos estão dispostos a tudo para alcançar seus objetivos. A mentira, violência ou manipulação, são apenas outros artifícios da repressão que Milos Forman quer mostrar e criticar em Um Estranho no Ninho. Diante do carisma do personagem de Jack, sua ações podem ter uma aparência melhor, no entanto, não há mocinhos nesse confronto.

A produção de O Estranho no Ninho, que também venceu o Oscar de melhor filme daquele ano, é de Michael Douglas.

Um Grande Momento:
Chegada de Randle ao hospital.

Oscar-logo2Oscar (1976)
Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado
Melhor Ator (Jack Nicholson), Melhor Atriz (Louise Fletcher)

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