(Two for the Road, GBR, 1967)

Drama
Direção: Stanley Donen
Elenco: Audrey Hepburn, Albert Finney, Eleanor Bron, William Daniels, Jacqueline Bisset, Judy Cornwell,
Roteiro: Frederic Raphael
Duração: 111 min.
Nota: 9 ★★★★★★★★★☆

Em Um Caminho para Dois, Stanley Donen (Cantando na Chuva) consegue fazer um retrato muito próprio e acurado das transformações nas relações ocorridas nos anos 60. Projetando seu filme para o futuro e expondo realidades que preferiam ser ignoradas pelo cinema até então, reúne Audrey Hepburn (Bonequinha de Luxo), a namoradinha da América, e Albert Finney (O Ultimato Bourne), como um casal que precisa superar o desgaste natural de toda relação.

Tudo no filme é pensado muito cuidadosamente, da narrativa não-linear, fundamental para o ritmo do filme, a atuações impressionantes; da espetacular montagem, assinada por Madeleine Gug (As Diabólicas) e Richard Marden (Domingo Maldito), que não só junta eventos de períodos diferentes, como faz com que eles se sobreponham, à trilha sonora inspiradíssima de Henry Mancini (A Pantera Cor-de-Rosa), que considera este o melhor trabalho de sua carreira, mesmo que afirme ter sido também o mais complexo.

Ainda falando da parte técnica, a direção de arte, de Willy Holt (Adeus, Meninos), consegue retratar muito bem os dez anos em que acompanhamos o casal, em suas diferentes situações financeiras, além de caprichar nos figurinos da segunda fase de Audrey. E ainda tem uma direção de fotografia dedicada de Christopher Challis (Arabesque).

O ponto alto de Um Caminho para Dois está no modo como o filme aborda o amor, sem aquela fantasia e caridade comuns, e trata do relacionamento entre essas duas pessoas que se apaixonaram, construíram uma vida juntos e foram se perdendo um do outro com o tempo e a rotina.

Ao ir e voltar o tempo todo nas fases da história, Donen consegue casar eventos completamente díspares, criando uma sensação de impossibilidade de perpetuação que é dura, mas ao mesmo tempo deve ser tratada como algo comum. Além disso, lança mão de tantas coisas batidas, pode-se até dizer clichês, para provocar a identificação da plateia, dando ao filme uma universalidade difícil de se alcançar.

Outra coisa que chama muita atenção é a naturalidade como os dois atores encaram seus personagens. Estimulados pelo diretor a trazerem algo de si para a cena, Hepburn e Finney se auto dirigem em todas as cenas em que estão dentro do carro, apertando eles mesmo o botão da câmera e sem nenhum roteiro para seguir. Como se trata de um road movie, são momentos fundamentais para a consistência da trama.

Entre as muitas viagens de Joanna e Mark Wallace, com tantos acontecimentos positivos, negativos ou simplesmente neutros, com idas e voltas, não só nas imagens, mas na formação do casal, o que se vê na tela é a verdade sobre o ser humano e as relações que ele estabelece, algumas muito mais romantizadas do que deveriam ser, pois a vida real está aí para mostrar que as coisas não funcionam assim.

Há sentimentos que não duram para sempre e outros que conseguem permanecer, e absolutamente todos são abalados pelo tempo, pelo cansaço, pelas expectativas e por um montão de outras coisas.

Assim é a vida, assim é o amor, que está muito bem representado no, para a época, moderno roteiro de Frederic Raphael e no filme de Stanley Donen, que é um presente para todos os espectadores, em todas as fases de relacionamento.

Um Grande Momento:
No hotel caro pela primeira vez.

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