46-festival-de-brasilia_logoBRASÍLIA – Começaram ontem as mostras competitivas do 46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A primeira noite desta edição no Cine Brasília, recém reformado, após mais de um ano de obras para manutenção e adaptação do espaço, terminou de um jeito bem ruim.

A sala de exibição estava bem diferente. Com tudo novinho, sem o cheiro que ultimamente acompanhava as sessões e banheiros completamente reformados, estava tudo pronto para o começo efetivo do festival.

Filmes anunciados, luzes apagadas e a constatação do primeiro problema: as novas cadeiras, instaladas com um certo atraso, não são exatamente aquele primor de conforto. Se é assim para um filme de duas horas, imagine o que faz com alguém que vai ficar ali por, pelo menos, quatro horas.

O problema é grave, mas ainda não é o pior deles. O curta Luna e Cinara e o longa Outro Sertão, participantes da mostra competitiva de documentários, abriram a noite. Em seguida foi anunciada a mostra competitiva de ficção e animação, com os curtas Deixem Denise em Paz e Sylvia e o longa-metragem Pobres Diabos, do diretor cearense Rosemberg Cariry, principal prejudicado da noite.

O filme já vinha apresentando alguma falha de sincronia nos diálogos, mas aos 30 minutos de projeção o som foi completamente interrompido por um ruído ensurdecedor. O problema demorou um tempo para ser corrigido, mas foi. Poucos minutos depois, mais uma interrupção idêntica e, logo depois, outra e uma tentativa de conserto de menos sucesso, com o filme avançando muitos minutos, perdendo parte fundamental da história. A produção resolveu então cancelar a exibição. Com toda razão, pois o filme já estava completamente comprometido.

Muito burburinho depois, com a plateia sem saber o que aconteceria a seguir, Petrus Cariry, diretor de fotografia do longa, chegou para esclarecer que a interrupção foi uma escolha da produção e que o problema não havia aparecido durantes os testes, pela manhã, pois somente uma parte do filme foi testada.

Segundo Petrus, o problema era no servidor do DCP, formato digital digital bastante utilizado atualmente. A mesma falha teria acontecido pela manhã no teste do documentário Outro Sertão, o que obrigou a diretora a substituir o arquivo por um de outro formato. Tal substituição, porém, não seria impossível no filme de Cariry.

Aceito pela primeira vez no Festival de Brasília, o DCP é uma constante nos festivais do mundo todo, de Cannes a Sundance, e é apontado por muitos como um dos mais eficientes substitutos da película. O problema não seria, portanto, do formato, mas do modo como ele é lido. Uma prova disso é que a cópia de ontem é exatamente a mesma exibida recentemente no encerramento do Cine Ceará, com qualidade perfeita.

Na explicação ao público, Sérgio Fidalgo, coordenador do evento, falou mal do formato. Disse estar arrependido por ter cedido à pressão dos cineastas e permitido o DCP no festival. Quanto ao filme, Os Pobres Diabos será exibido em outra sessão, marcada posteriormente.

Fica a esperança de que o problema esteja solucionado até hoje à noite. E que Os Pobres Diabos tenha a sessão que estava parecendo merecer até a enxurrada de problemas.