(Três Homens em Conflito | Il buono, il brutto, il cattivo, ITA/ESP/RFA/EUA, 1966)

Faroeste
Direção: Sergio Leone
Elenco: Eli Wallach, Clint Eastwood, Lee Van Cleef, Aldo Giuffrè, Luigi Pistilli, Rada Rassimov, Antonio Casale, Antonio Casas
Roteiro: Mickey Knox (versão em inglês), Sergio Leone, Luciano Vincenzoni, Furio Scarpelli, Agenore Incrocci
Duração: 186 min.
Nota: 9 ★★★★★★★★★☆

Nos anos 60, um dos gêneros mais famosos e rentáveis do cinema americano, o western ou faroeste como ficou conhecido por aqui, passava por uma reconfiguração. Mais pesado na violência e aceitando referências do cinema japonês, filmes como Sete Homens e um Destino, de John Sturges já demonstravam esta renovação, mas foi o diretor Sergio Leone que a fez chegar mais longe.

Com sua Trilogia dos Dólares, Leone, um apaixonado pelo gênero, conseguiu dar sentido às mudanças e firmar um novo estilo de contar as histórias do interior dos Estados Unidos. Fazendo parte do subgênero apelidado pejorativamente de western spaghetti, ele trouxe às telas uma visão menos romantizada dos pistoleiros, trazendo sujeira, maldade e uma maior violência às telonas.

Três Homens em Conflito, chamado de The Good, The Bad and The Ugly nos Estados Unidos e de Il buono, Il brutto, il cattivo na Itália, é o encerramento da Trilogia dos Dólares e o melhor dentre os três. O filme conta a história de três pistoleiros mau-caráter que não se importam em prejudicar ou fazer o mau, desde que se beneficiem com isso.

O Bom, que de bom não tem nada, é o “Loiro”, vivido por Clint Eastwood. Ele e o Feio, o bandido procurado e também malvado Tuco, Eli Wallach em atuação inspiradíssima, têm um acordo. Loiro entrega Tuco às autoridades, recebe a recompensa e o salva no momento do enforcamento, com tiros certeiros na corda da forca. O Mau, Lee Van Cleef, é “Angel Eyes” nos Estados Unidos e “Sentenza” na Itália, um homem inescrupuloso que se sente bem fazendo maldades.

O caminho dos três se cruza quando conhecem o moribundo Bill Carsen, um homem que escondeu uma fortuna em uma cova rasa em um dos muitos cemitérios do interior do país. Ele divide a localização entre Loiro e Tuco, dizendo a um o nome do cemitério e ao outro o nome da lápide. Sabendo disso, o Mau tenta descobrir os segredos para ficar com todo o dinheiro.

Tudo acontece durante a Guerra Civil Americana, o que afeta a percepção de toda a maldada dos personagens de um jeito interessante e perturbador.

Não há como falar de um filme de Sergio Leone e não falar de técnica. Toda a maestria do diretor está presente na construção de quadros milimetricamente estudados e bastante ajudados pela competente direção de arte de Carlo Simi. Sem falar no constante contraste entre planos abertíssimo e close-ups extremos, trazendo o espectador não só para dentro da trama, mas de cada uma daqueles personagens. Tudo isso perfeitamente casado com a potente trilha sonora de Ennio Morricone.

Por toda a sua violência, o filme é pesado e por vezes pode ser cansativo. Leone fixa seus suspiros no personagem estabanado e contraditório Tuco, mas que também não deixa de ser extremamente mau, e consegue encontrar alguns alívios, mas nada que dure por muito tempo. Há ainda momentos tocantes, como a execução da música durante um espancamento em um forte confederado, ou a tomada da ponte, e extremamente tensos, como a magnífica sequência final no cemitério.

Três Homens em Conflito é uma obra-prima de Leone, que consegue demonstrar toda a reinvenção de um gênero e focar suas lentes na maldade humana em meio ao absurdo da guerra.

Um filme obrigatório.

Um Grande Momento:
No cemitério.

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