(Traição, BRA, 1998)

Drama

Direção: Arthur Fontes, Cláudio Torres, José Henrique Fonseca

Elenco: Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Pedro Cardoso, Tonico Pereira, Daniel Dantas, Ludmila Dayer, Jorge Dória, Francisco Cuoco, Alexandre Borges, Drica Moraes, José Henrique Fonseca

Roteiro: Nelson Rodrigues (contos), Patrícia Melo, Mauricio Zacharias

Duração: 104 min.

Nota: 6/10

As histórias de Nelson Rodrigues estão sempre sendo adaptadas para o cinema e a televisão. Traição é mais das muitas que foram feitas. O filme é composto por três episódios: O Primeiro Pecado, Diabólica e Cachorro!. Cada um sob a ótica de um diretor diferente e ambientados em épocas distintas, tratam a traição, tema sempre recorrente na obra de Nelson, um especialista em tabus.

Em O Primeiro Pecado, um homem se apaixona por uma mulher casada que conhecera em um ponto de ônibus. Ele pede emprestado a um amigo de bar o apartamento em Copacabana, onde acontece o encontro. A história parecia caminhar para um lado, mas acaba em outro totalmente diferente. O roteiro parece perder o ritmo e fica tudo meio confuso. Apesar das boas atuações de Pedro Cardoso e Fernanda Torres, não decola.

Diabólica conta a história de um casal apaixonado e da irmã da noiva, de apenas 13 anos, que tenta conquistar o noivo de qualquer maneira. A pedofilia é sempre um tema difícil, mas Nelson Rodrigues nunca deixou de escrever sobre ele. O episódio, dirigido e atuado em família (Cláudio Torres dirige a mãe e a irmã), é melhor do que o primeiro, mas deixa aquela impressão de que alguma coisa saiu diferente do planejado. Apesar da direção segura, o roteiro parece não conseguiu acompanhar toda a capacidade de conclusão de Nelson. As atuações, a fotografia e a cenografia são muito boas.

Cachorro! traz a história de vingança de um marido traído pela mulher e seu melhor amigo. É, sem dúvida, o melhor dos episódios. Alexandre Borges está muito bem como o marido descontrolado. A influência dos filmes de Quentin Tarantino é percebida no cenário, nos ângulos da câmera e no desenvolvimento da história. Apesar de ser a melhor adaptação, não é a melhor história. O diretor José Henrique Fonseca também atua no episódio: é o melhor amigo traidor.

Apesar de ser uma boa tentativa, cheia de bons elementos de cinema, o filme, como um todo, fica devendo à série produzida para a tv e dirigida por Daniel Filho e Denise Saraceni, A Vida como ela É, lançada dois anos antes.

Sempre é bom ver Fernanda Montenegro e conhecer histórias de Nelson Rodrigues, mas talvez seja melhor buscar outros títulos. Um filme interessante, mas está longe de ser uma obra indispensável.

Uma curiosidade: os três diretores foram responsáveis por episódios da boa série Mandrake, produzida e exibida pela HBO.

Um Grande Momento

Fernanda Montenegro ligando para a polícia.

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Prêmios e indicações(as categorias premiadas estão em negrito)

Festival de Brasília: Diretor (Cláudio Torres), Ator Coadjuvante (Francisco Cuoco), Atriz Coadjuvante (Ludmila Dayer)

Grande Prêmio Brasil de Cinema: Ator (Daniel Dantas), Atriz (Fernanda Torres, também por O Primeiro Dia)

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