Finalmente, depois de uma longa pausa, as listinhas estão de volta. Já não era sem tempo! Como respondi aos que tinham feito pedidos antes da correria das viagens, todos serão atendidos.

Mas vamos fazer uma experiência: não sou só eu que escolherei os títulos, momentos e/ou cenas. Meus seguidores no twitter também participarão da brincadeira e terão suas respostas publicadas aqui, desde que eu também tenha visto o filme. No início do domingo direi lá qual é o assunto e depois junto as respostas às minhas.

Hoje o Top 10 junta dois pedidos. Leila Rodrigues sugeriu os momentos mais constrangedores e Giovanna Mendonça queria ver aqui as maiores “vergonhas alheias” do cinema. As cenas lembradas foram muitas. Algumas eram engraçadas e ao mesmo tempo constrangedoras, outras eram mais tristes e outras ainda, apareceram só por ser inacreditável que alguém tenha feito isso e projetado para alguém além de sua família.

Prendendo o que não devia no próprio zíper em Quem Quer Ficar Com Mary
(There’s Something About Mary)

Sem dúvida nenhuma o Sr. Ben Stiller tem vários momentos que poderiam estar aqui nesta lista. Em suas comédias ele explora momentos completamente envergonhantes e faz com que o público fique bem constrangido. Em Quem Quer Ficar com Mary encontramos várias cenas assim, como a briga com o cachorrinho ou o “gel” para cabelo, mas nenhuma delas supera o momento em que o rapaz, todo arrumadinho com aquelas roupas bizarras de formatura, vai ao banheiro e prende o próprio saco com zíper da calça. Só isso já bastava para deixar qualquer um com vergonha alheia, mas a situação fica bem pior quando toda a cidade vai ver o que aconteceu.

Estourando a champanhe na casa do sogro em Entrando Numa Fria
(Meet the Parents)

E lá vem ele de novo, mas desta vez em um filme que parece ter sido feito exclusivamente para constranger. Aliás, a maioria das pessoas que assiste a Entrando Numa Fria diz que foi uma das experiências mais agoniantes que já teve pelo número e grau dos constrangimentos que o personagem de Ben Stiller passa. Tudo que ele faz dá errado e entre as muitas besteiras está o drinque proposto durante um jantar humilhante. A rolha da champanhe acaba batendo na urna funerária de cerâmica onde estão as cinzas da mãe do personagem durão de Robert De Niro. Para piorar, depois que elas se espalham no chão, o gato da família pensa que achou uma nova caixa de areia.

Tentando esconder o entupimento da privada e o alagamento do banheiro em
Quero Ficar Com Polly
(Along Came Polly)

Para coroar o rei das personagens envergonhantes, nada como mais uma terceira citação. Nesse caso, o cara ainda se dá mal o tempo todo, é enganado pela mulher e não consegue acertar uma. Quando conhece Polly resolve que vai tentar fazer dar certo e, claro, não consegue. No primeiro dia na casa da moça, ele, que tem síndrome do intestino irritável, já começa a envergonhar a gente por causa da dor de barriga que sente e a coisa piora bastante com o fim do papel higiênico, a toalhinha de mão e a privada entupida.

Dando o maior vexame na reunião do trabalho em A Mulher Invisível
(A Mulher Invisível)

O cinema nacional também produz vergonhas alheias eficientes e tem nas suas comédias bons exemplos também. O último filme do estilo ainda está em exibição em algumas salas do país e conta a história de um cara com o coração partido que inventa uma mulher gostosona e perfeita para ser sua namorada. Todas as cenas em que ele está com ela desfilando, jantando ou se agarrando no cinema são constrangedoras, mas o vexame durante a reunião de apresentação da empresa para um político é vergonhoso.

Brigando para lavar o lençol na casa da peguete em Trainspotting – Sem Limites
(Trainspotting)

E não são só as comédias que causam momentos assim, alguns dramas conseguem deixar um nó na boca do nosso estômago com cenas terríveis. Trainspotting é um exemplo disso e tem cenas bem pesadas, além de escolher momentos deprimentes para fazer graça quando a coisa está tensa demais. Como quando o personagem de Ewen Bremner acorda na cama de uma menina e descobre que teve problemas intestinais durante a noite. O pior acontece quando ele tenta levar o lençol para lavar e a mãe da menina não deixa. Na briga, o lençol se abre espalhando todo cocô que estava lá dentro pela cozinha.

Tentando achar uma veia no braço que a luva escondia em Gia – Fama e Destruição
(Gia)

A história da modelo Gia Carangi, interpretada por Angelina Jolie, já é constrangedora por si só. Perdida com o dinheiro e fama que teve no final dos anos 70, ela abusava das drogas e, por isso, foi uma das primeiras mulheres estadunidenses a morrer de complicações por causa da AIDS. Vários momentos do filme são contrangedores e é comum fazermos uma ligação entre ela e a cantora inglesa Amy Winehouse. A cena dela tirando a luva para procurar uma veia, onde pudesse se drogar, em um braço completamente destruído é terrível e difícil de acompanhar.

Atravessando o corredor da cadeia para falar com Hannibal em
O Silêncio dos Inocênte

(The Silence of the Lambs)

É muito fácil perceber que toda a vergonha que sentimos é a mesma que o personagem sente. Quando um filme é bom e eficiente estamos ali ao lado de quem vive a cena. Clarice Starling, é uma mulher durona e decidida, mas está tão receosa ao entrar na prisão onde está Hannibal Lectar, que se torna mais frágil a cada passo seu no corredor e, claro, mais vunerável a cada comentário que escuta.

Como se nada tivesse acontecido no almoço de família em Felicidade
(Happiness)

E quando você vê uma cena onde vários personagens têm tanta vergonha de sua história de vida que fingem que nada aconteceu? Assim é todo o filme de Todd Solondz que conta a história de várias pessoas e só tem felicidade mesmo no título. O diretor e roteirista junta várias pessoas esquisitas a situações extremamente embaraçosas e ainda usa toda a ironia que pode. Ver a família de pessoas problemáticas se reunir para almoçar como se nunca tivesse tido um membro pedófilo e como se os problemas nunca tivessem existido é bem constrangedor.

Street Fighter (Street Fighter): o filme inteiro

Agora é a vez daqueles casos onde a vergonha e o constrangimento ultrapassam a tela e recaem sobre os realizadores. São atores fracos, filmes muito ruins e resultados completamente absurdos. Nessa categoria, o número de momentos para esta lista é enorme. O primeiro nome lembrado foi o do filme Street Fighter, adaptação de um videogame famoso há algum tempo atrás, chegou às telas capitaneado pelo fortão desaparecido Jean-Claude Van Damme e com a participação do excelente Raul Julia. O roteiro é tão confuso e a direção é tão frouxa que o resultado não agradou de jeito nenhum.

Todas as cenas de Transformers – A Vingança dos Derrotados (Transformers: Revenge of the Fallen)

A última bomba ainda está no cinemas e é assinada pelo sempre profuso e exagerado Michael Bay. No segundo título da franquia Transformers, porém, ele consegue superar todas as expectativas e faz muito pior do que o esperado. Liquidificadores ganham vida, Megan Fox está sempre mais provocante do que o necessário, Shia LaBeouf tem péssimos ataques epiléticos/de ausência, Optimus Prime tem cílios e por aí vai. Daqueles que a gente sai do cinema morrendo de vergonha alheia.

As sugestões foram recebidas de @fesanchez76 (O Silêncio dos Inocentes), @h_milen (Felicidade), @cinemaorama (Street Fighter) e @johnstrangelove (Transformers 2). O @alexcinefilo também deu uma sugestão, mas não vi o filme.

Quem quiser participar respondendo é só me seguir pelo @tchuly e quem quiser indicar assuntos para as listas basta enviar um email para [email protected].