(Voir du pays, FRA/GRE, 2016)
Drama
Direção: Delphine Coulin, Muriel Coulin
Elenco: Soko, Ariane Labed, Ginger Romàn, Karim Leklou, Andreas Konstantinou, Makis Papadimitriou, Alexis Manenti, Robin Barde
Roteiro: Delphine Coulin, Muriel Coulin
Duração: 102 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

“This is a man’s world
But it wouldn’t be nothing
nothing without a woman or a girl
He’s lost in the wilderness
He’s lost in bitterness”

Por mais ultrapassada que seja a música de James Brown, uma vez que cada vez mais a mulher encontra e reafirma seu espaço no mercado de trabalho, não deixa também de ser atual pelo modo como o mundo, dominado há muito pelos homens, reage negativamente a uma presença social feminina menos decorativa e doméstica.

Se é assim em todos os lugares, imagina em ambientes onde o domínio masculino é ainda maior, como nas Forças Armadas. Um espaço associado desde sempre à força física, à resistência e à virilidade, que começa a ser “invadido” pelas mulheres. A simples presença no campo de batalha, exercendo o papel de soldado, é recebida como uma agressão pelos colegas de campo. Ou seja, a hostilidade a ser enfrentada não é só a de seu inimigo.

O longa The Stopover, dirigido pelas irmãs Delphine e Muriel Coulin, aborda essa questão. Logo após uma missão no Afeganistão, uma tropa francesa vai passar por uma espécie de programa de descompressão em um resort de luxo no Chipre. A dinâmica, esquisita já pelo contrassenso da trocas do campo de batalha por um hotel de luxo e pela curtíssima duração, busca fazer com que os soldados voltem sem traumas de guerra para casa.

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Do pelotão, claramente perturbado, fazem parte Aurora e Marine, amigas desde a infância que se alistaram juntas dada a falta de perspectiva profissional na pequena cidade onde moravam. Enquanto Aurora entrega-se às atividades terapêuticas, que fazem o indivíduo e seus companheiros reviverem o trauma, Marine prefere não falar sobre o ocorrido.

As irmãs Coulin trabalham muito bem as relações entre aqueles indivíduos, diferenciando-os em personalidade e força social. A misoginia, presente em detalhes desde o início da trama, vai ocupando cada vez mais espaço, até chegar a seu ápice. E sair com o espectador da sala.

A experiência ganha pontos com essa segurança da dupla de diretoras e com a criatividade das imagens de Jean-Louis Vialard. Outro acerto está nas atuações de Soko, Ariane Labed e Ginger Romàn como as únicas mulheres do pelotão. A química entre elas, e mais especificamente entre a grega Labed e a cantora Soko, funciona bem.

Bem filmado, com personagens bem trabalhados e uma trama curiosa e muito bem amarrada, The Stopover é um daqueles filmes que fazem o espectador sentir e o obrigam a pensar. Não vai ser fácil, mas vai valer a pena. E talvez a música de James Brown volte à cabeça dos que viram o filme também.

Sobre os programas de descompressão, eles realmente existem e têm sido utilizados por alguns países.

Um Grande Momento:
A volta silenciosa.

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