(Extremely Loud & Incredibly Close, EUA, 2011)

Drama
Direção: Stephen Daldry
Elenco: Tom Hanks, Thomas Horn, Sandra Bullock, Max von Sydow, Zoe Caldwell, John Goodman, Stephen Henderson, Viola Davis, Jeffrey Wright
Roteiro: Jonathan Safran Foer (livro), Eric Roth
Duração: 129 min

Uma família nova-iorquina. Um filho de QI altíssimo, super ativo e que já desde cedo aprende a filosofia de Aikido com o pai, um frustrado cientista que acabou se tornando relojoeiro para garantir o sustento da família. Essa história bolada pelo diretor Steven Daltry, a priori, parece um lugar-comum em Hollywood. Mas nem tanto assim.

Tão Forte, Tão Perto exibido na mostra competição do Festival de Berlim tem, claro, uma roupagem apelativa hollywoodiana. Até mesmo um Stephen Daldry, de estilística cinematográfica intimista (vide As Horas com Nicole Kidmann) não resiste à tentação da popularidade, colocando Tom Hanks e Sandra Bullock nos papéis principais do seu filme. Os primeiros 40 minutos ratificam esse “pacote Hollywood” e não valem realmente a pena. Não há nada de novo para a retina do cinéfilo, já que ainda estão intensamente presentes em nossa memória emocional as fitas digitais do canal CNN que passavam de lá para cá com a escrita: “America under attack”. Tão Forte, Tão Perto conta a história de um menino que perdeu o pai no atentado daquela fatídica manhã de 11 de setembro. Em seu processo traumático, o filho, interpretado excelentemente pelo ator mirim e estreante Thomas Horn, tenta de maneira bem própria entender o desaparecimento repentino do pai e inicia uma “expedição” ao mesmo tempo interior e pelas ruas de Nova Iorque e nos desvenda uma Big Apple deliciosamente cheia de arestas, cheia de ecleticidade ético-cultural. Esse é um dos mais leves momentos do filme de roteiro conciso e compacto, na medida certa.

Stephen Daltry foi inteligente o suficiente para não apelar com imagens do dia fatídico. Não precisa ser especialmente inteligente para saber que essas imagens estão, para sempre, gravadas em nossas retinas. De forma muito econômica, Daldry faz uso de algumas imagens daquele 11 de setembro. Essas, na melhor das hipóteses, ilustram a dramaticidade que será importante para entender a atitude do personagem vivido por Thomas Horn, mas não a enriquecem de fato.

Tom Hanks, com papel relativamente pequeno é um colírio para os olhos. Sempre. Surpreende pela sua liberdade de escolhas, essas ecléticas, nada dogmáticas e sem qualquer preocupação com o que a imprensa irá pensar disso. Seja na direção de comédias românticas com sua amiga Julia Roberts no papel principal, ou em papéis de imensa complexidade como em Filadélfia e Forrest Gump, Tom Hanks é sempre uma referência, um chamativo para os cinéfilos independentemente da trama.

Tão Forte, Tão Perto pode ser dividido em duas partes. Antes e depois de Max von Sydow. No momento em que ele aparece na tela algo gigantesco nos acomete: a densidade, as diversas histórias que seu rosto cheio de lindas rugas nos quer contar. No papel do avô, ele se comunica com seu neto através de bilhetes escritos durante um diálogo inusitado, mas abarrotado de entrelinhas. No meio da trama esses dois seres antagônicos se juntam numa expedição que é muito mais profunda do que possa parecer a princípio. Ela acaba se tornando uma viagem investigativa da própria identidade dos dois e daquilo que restou da família.

O filme presenteia cinéfilos com a teimosia indomável de um garoto e sua visão do mundo e, principalmente, com a magnitude e esplendor do talento de Max von Sydow que, durante a coletiva, jurou de pé junto: “Na realidade eu sou essencialmente um ator de teatro, onde os personagens vão se definindo em conjunto com outros atores. No cinema você desenvolve o personagem sozinho”.

Na Première de Gala no Berlinale Palast sábado o Grand Seigneur da dramaturgia mundial foi ovacionado pela plateia sedenta de grandes estrelas.

No final do mês, durante a cerimônia do Oscar, estaremos com retina colada especialmente na hora do ator coadjuvante: …and the Oscar goes to… Mas antes disso acontecer, ainda tem a possibilidade do avô mais querido do cinema, levar para casa um Urso de Prata como melhor ator.

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