(Tangerine, EUA, 2015)

Comédia
Direção: Sean Baker
Elenco: Kitana Kiki Rodriguez, Mya Taylor, Karren Karagulian, Mickey O’Hagan, James Ransone, Alla Tumanian, Luiza Nersisyan, Arsen Grigoryan, Ian Edwards, Clu Gulager, Ana Foxx, Scott Krinsky
Roteiro: Sean Baker, Chris Bergoch
Duração: 88 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Depois de passar uma temporada na cadeia, Sin-Dee volta à vida normal na véspera de natal. Logo após se encontrar com sua melhor amiga, Alexadra, para comemorar a data, descobre que seu cafetão, que a pediu em casamento pouco antes de ser presa, está saindo com outra garota. Indignada, ela varre a cidade atrás da mulher que roubou seu noivo.

Tangerine volta seu olhar para a melancolia da vida nas ruas das transexuais, prostitutas e daqueles que dela se aproveitam. Todas as personagem são, em diferentes graus, frustradas com suas vidas e realizações, seja em seus relacionamentos amorosos, suas vontades de realizar sonhos artísticos ou seja ao que se submetem para ganhar algum dinheiro.

Apesar de toda a tristeza por trás da história, o diretor Sean Baker mantém o tom vibrante de sua narrativa, toda enfeitada com músicas dos mais diferentes gêneros e estilos. O clima é positivo para a jornada de vingança que dá sentido a tudo o que se vê.

Além disso, há um respeito singular ao retratar a vida de suas personagens principais, ambas transexuais e o mundo que as circunda. Não há julgamentos e nem espaço para que eles aconteçam do outro lado da tela. Isso é apenas um detalhe em todo o conjunto.

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Para isso, a parceria entre as atrizes Kitana Kiki Rodriguez e Mya Taylor, esta em uma interpretação bastante inspirada, é fundamental. Ambas estão bem acompanhadas por Mickey O’Hagan, Karren Karagulian e James Ransone, que apesar de não apresentarem atuações espetaculares, dão um toque de verossimilhança muito interessante ao filme.

No roteiro, escrito por Baker e Chris Bergoch, percebe-se alguma aleatoriedade e algumas facilidades e previsibilidades. Aquilo que acompanha a interessante da rotina do taxista Razmik parece não conseguir se conectar com a história de vingança que toma conta do filme. O retorno à história passa a mesma impressão, mas nada que o carisma de Rodriguez e Taylor não dê conta de superar.

Tecnicamente, Tangerine também chega como uma grande inovação do cinema. O longa-metragem foi o primeiro a ser lançado comercialmente inteiramente filmado em iPhone 5S. Ao apresentar o longa em Sundance, o diretor revelou que usou 3 telefones, com adaptadores anamórficos, estabilizadores de imagem e um aplicativo de edição que custou $8.

Melancólico e interessante pelo modo despojado e vivaz com que conta sua história, Tangerine faz um retrato interessante de uma realidade muito pouco conhecida, além de ser um bonito filme sobre a amizade.

Um Grande Momento:
Na lavanderia.

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