(Funny People, EUA, 2009)

Drama
Direção: Judd Apatow
Elenco: Adam Sandler, Seth Rogen, Leslie Mann, Eric Bana, Jonah Hill, Jason Schwartzman, Aubrey Plaza, RZA, Aziz Ansari, James Taylor, Andy Dick, Charles Fleischer, Carol Leifer, Paul Reiser, Eminem, Ray Romano
Roteiro: Judd Apatow
Duração: 146 min.
Nota: 2 ★★☆☆☆☆☆☆☆☆
Se o problema de títulos é real e inegável no Brasil, nunca na história um se adequou tanto à realidade como Tá Rindo do Quê?, filme que junta o novo queridinho da comédia estadunidense, Seth Rogen, e o veterano Adam Sandler.

Um famoso comediante de stand-up e com uma filmografia cheia títulos de comédia duvidosos, George Simmons, descobre que tem uma doença terminal e poucos dias de vida. Ele contrata como novo ajudante o iniciante e ainda sem graça Ira Wright. Enquanto este é tímido e solícito, o outro é arrogante e amargo, mas os dois se tornam amigos.

Dirigido por Judd Apatow, um nome promissor no cenário cômico atual, o filme tenta ser uma homenagem aos artistas do humor e volta a bater na tecla de que “todo palhaço é infeliz quando cai o pano”.

Mas só fica na tentativa. Ainda que opte pelo interessante uso da melancolia, da mesquinhez e da tristeza de todo e qualquer ser humano, o filme fracassa em seu texto carregado de humor negro rasteiro e apelação sexual.

Dificilmente você vai ver por aí um filme que cite mais vezes o órgão sexual masculino. Seria como dizer que uma coisa só pode ser engraçada ou interessante se tiver, pelo menos por alguns minutos, um pênis, ou qualquer outro nome de sua preferência, envolvido.

Talvez o problema esteja na já constatada ineficiência de piadas que não são contadas em nossa língua materna. Talvez pessoas que gostem mais de stand up comedy e tenham crescido vendo os monólogos de Jerry Seinfeld estejam mais habilitadas para rir das piadas. Mas como sou falante nativa de português e nunca fui muito chegada em Seinfeld e afins, não posso afirmar.

Mas as fracassadas tentativas de fazer rir não são o principal objetivo do filme e têm, na verdade, a pretensão de ser o respiro para todo o drama de Simon. Mas nem nessa parte o filme acerta. A tristeza pela doença soa clichê, os momentos de reflexão são vazios e as cenas de reconciliação, comuns em filmes que envolvem a morte próxima, envergonhantes. É impossível não perceber a fragilidade do roteiro que, até bem intencionado, fica longe de alcançar seu objetivo.

Sem um equilíbrio entre o cômico e o drama, o filme perde ainda mais pontos e, ao final, sua tentativa de ser melancólico resulta em uma tortura, daquelas lentas e cruéis, que parecem nunca mais terminar.

E não adianta apostar no carisma dos dois atores principais ou nas interessantes e numerosas pontas de grandes nomes da comédia e do stand up de lá. Nada consegue melhorar o nível do que está sendo visto e nem manter a atenção de quem o assiste.

Apatow também não consegue acertar no tempo do filme e se excede (são duas versões, uma de 153 minutos e outra de 143), principalmente em seu desfecho, que sempre aparenta estar mais longe do que o necessário.

Alternando entre o constrangimento, a raiva e vontade de desligar, o filme é uma penosa experiência. E merecia até um subtítulo, em letras menores, bem abaixo do Tá Rindo do Quê?: Tá vendo para quê?

E, além do título e novas possibilidades, é do próprio roteiro que tiro agora o resumo da ópera. O casal comenta sobre o fraco programa televisivo “Oi, Professor!”, estrelado por um dos amigos de Ira. Ele fala das péssimas piadas – talvez menos piores que as do próprio filme, diga-se de passagem – e ela responde: “Nossa! É tão ruim que eu fiquei com vontade de me matar.”

Pois é. Isso é Tá Rindo do Quê?

Um Grande Momento

Não ter nenhuma participação de Rob Schneider, o melhor amigo e figurinha repetida em todos os  filmes do Sr. Sandler.

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