(Star Wars: The Force Awakens, EUA, 2015)

Ficção Científica
Direção: J.J. Abrams
Elenco: Harrison Ford, Mark Hamill, Carrie Fisher, Adam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Lupita Nyong’o, Andy Serkis, Domhnall Gleeson, Anthony Daniels, Max von Sydow, Simon Pegg
Roteiro: George Lucas (personagens), Lawrence Kasdan, J.J. Abrams, Michael Arndt
Duração: 135 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Em 1977, Guerra nas Estrelas, ou Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança, chegava para impressionar os fãs de ficção científica com a luta entre guerreiros do bem, os jedis, e guerreiros do mal, os sith, em uma galáxia muito, muito distante. Além dos efeitos especiais, que deixaram todo mundo de boca aberta e mudaram a importância dos mesmos dentro do cinema, a história de Luke Skywalker, Darth Vader, Yoda, Han Solo, Princesa Leia, Chewbacca, R2-D2 e C3PO cativou o público e criou uma das franquias mais poderosas e rentáveis da sétima arte.

Depois de uma mal sucedida tentativa de retorno à série, com a trinca de filmes A Ameaça Fantasma, Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith, e em novas mãos, com os estúdios Disney assumindo a franquia, chegou a hora de retornar àquele universo com Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força.

Três décadas se passaram depois da destruição da segunda Estrela da Morte, quando a Aliança Rebelde conseguiu libertar a galáxia das mãos do Império e restabeleceu a República Galática e a democracia. Porém, o mal continua a se reestruturar, agora usando o lado negro da força sob o nome de Primeira Ordem.

Leia Organa deixou de ser princesa e se tornou general da Resistência da República, que combate a Primeira Ordem para a manutenção do atual regime. Ela tenta encontrar Luke Skywalker que, depois de seguir sua missão de encontrar novos jedis, está escondido.

Com o mesmo apego a movimentos históricos, com direito a discurso inflamado e saudação nazista, O Despertar da Força é um filme feito sob medida para os fãs da franquia. A distribuição da ação, o uso do humor e o carisma dos personagens estão ali de novo, de forma muito respeitosa e nostálgica.

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Além de memorabílias que alegram o coração dos fãs, as semelhanças vão a um nível mais profundo ao construir uma nova história sobre o mesmo esqueleto. Como se estivesse vendo uma releitura de Uma Nova Esperança, ou como se a força despertasse sempre do mesmo jeito.

O planeta desértico Tatooine é substituído por Jakku, e quem assume o papel de protagonista é a jovem Rey. Ajudada por um Finn ela foge do ataque do vilão Kylo Ren para devolver o droide BB8. E chega de detalhes sobre os personagens e a trama para não estragar a surpresa dos que ainda não conseguiram assistir ao filme.

Além desse respeito e reverência à trilogia original, composta pelos filmes Uma Nova Esperança, O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi, o que mais chama a atenção no novo filme da franquia são as atuações, tanto dos novatos quanto dos atores antigos que aqui estão de volta.

Méritos de J. J. Abrams, o diretor escolhido para conduzir a história e assinar o roteiro em parceria com um antigo conhecedor da trama original, Lawrence Kasdan. O diretor, surgido em série televisivas, tem uma excelente mão para a condução de elenco, coisa que já se notou em longas anteriores, como Super 8 e na excelente adaptação de um outro universo galático de sucesso, Star Trek.

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O bom elenco, que além dos rostos já conhecidos conta com nomes como Adam Driver (Corações Famintos), Daisy Ridley (Scrawl), John Boyega (Ataque ao Prédio), Oscar Isaac (As Duas Faces de Janeiro), Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão) e Andy Serkis (Planeta dos Macacos: A Origem), está muito à vontade em cena e se percebe muito claramente um misto de devoção, dedicação e diversão em tudo aquilo que estão construindo. Bem diferente, inclusive, dos filmes anteriores da franquia, com exceção de O Império Contra-Ataca, mas ainda assim superior no quesito.

Somando a isto, um bom timing cômico, efeitos visuais interessantes, um cuidado extremo com o desenho de som e a sempre marcante música de John Williams (A Menina que Roubava Livros), não demora para que a audiência se renda ao novo filme e se envolva de verdade com tudo o que está acontecendo na tela.

Porém, apesar de todo o deleite dos fãs da saga, alguns problemas estão presentes no longa. Aquela superficialidade de antigamente na trama volta a aparecer aqui, além de perceber em um ou outro momento que, por mais que faça um ótimo trabalho, Abrams está um pouco mais travado do que o habitual, mas nada que se perceba tanto assim.

Além disso, mesmo que escondido sobre uma certa indefinição do personagem, o clímax do filme pode ser antecipado com uma certa facilidade. Não que não alcance o objetivo, mas enfraquece a estrutura como um todo.

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E ainda temos que lidar com um final “to be continued” que nunca precisou estar presente, mas que começa a ser usado na franquia e deixa um certo receio sobre o próximo filme.

Mas, no final das contas, são problemas pequenos frente a tudo o que Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força traz àqueles que se entregam à história. Com muita ação e diversão, o filme conquista quem o assiste. Obviamente, fãs e conhecedores da saga vão se divertir muito mais.

Não que seja necessário, mas vale um retorno à trilogia original antes de ver o filme.

Um Grande Momento:
Ben.

Oscar-logo2Oscar 2016 (indicações)
Melhores Efeitos Visuais (Roger Guyett, Pat Tubach, Neal Scanlan, Chris Corbould)
Melhor Montagem (Maryann Brandon, Mary Jo Markey), Melhor Mixagem de Som (Andy Nelson, Christopher Scarabosio, Stuart Wilson), Melhor Edição de Som (Matthew Wood, David Acord)
Melhor Trilha Sonora (John Williams)

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