(Star Trek Beyond, EUA, 2016)
Ficção Científica
Direção: Justin Lin
Elenco: Chris Pine, Zachary Quinto, Karl Urban, Zoe Saldana, Simon Pegg, John Cho, Anton Yelchin, Idris Elba, Sofia Boutella, Shohreh Aghdashloo
Roteiro: Simon Pegg, Doug Jung, Gene Roddenberry (série de tv)
Duração: 122 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

“Espaço, a fronteira final”. Assim, o seriado criado por Gene Roddenberry e exibido pela primeira vez em 1966 conquistou fãs de várias gerações ao redor do mundo. Visionário e progressista, Star Trek – batizado de Jornada nas Estrelas no Brasil – seguiu ao pé da letra a saudação volcana e tem, até hoje, uma vida longa e próspera. Já foram sete séries para televisão, com a mais nova, Star Trek: Discovery, prestes a estrear na Netflix, e nada menos do que 13 longas-metragens.

Diferente da série, a que começou tudo, a franquia teve dificuldades de se encontrar no cinema. Embora com os mesmos atores e histórias interessantes, nenhum filme conseguia deixar sua marca. Isso até J.J. Abrams arriscar assumir a responsabilidade em 2009.

A apreensão de trekkers espalhados pelo mundo era grande ao saber que alguém iria mexer na série clássica. Como Kirk, Spock e companhia seriam abordados pelo moço dos flares (quando a luz entra direto pela extremidade da lente, causando manchas na imagem)?

Extremamente respeitoso e criativo, Abrams não só chegou lá, como abriu espaço para a criação de mais uma franquia, numa realidade paralela, alterada por um romulano ressentido.

Agradando os amantes da série e trazendo novos fãs à franquia, o diretor acertou ainda mais uma vez com Além da Escuridão – Star Trek. Com a atenção e o público na mão, Abrams, um dos mais competentes produtores da atualidade, resolveu que era hora de deixar a direção não mão de outra pessoa. O escolhido foi Justin Lin, famoso por dirigir os últimos filmes da franquia Velozes e Furiosos.

Capitão Kirk, Jaylah, Chekov, Scotty

A diferença de qualidade pode ser notada logo nos primeiros momentos do filme. Enquanto nos filmes anteriores sequências de ação atraem o espectador para a trama logo nos primeiras momentos, em Star Trek: Sem Fronteiras há uma dificuldade enorme em chegar onde se espera, o que, fatalmente, compromete o envolvimento de quem assiste ao filme.

Há uma clara tentativa de Lin em supervalorizar a palavra, mas ele o faz de maneira tão superficial e desinteressante que é difícil chegar à metade do filme sem perguntar o porquê de tudo aquilo. O roteiro de Simon Pegg, que também interpreta o engenheiro Scotty no longa, e Doug Jung, cheio de furos e inconsistências, também não tem muito a acrescentar.

Desta vez, a Enterprise parte da nova estação espacial da Federação em uma missão de resgate no planeta Altamid, mas acaba presa no local.

Embora traga em seu argumento a aura da série clássica, falta apuro no desenvolvimento do roteiro. Tanto em situações, quanto nos próprios personagens, a superficialidade é a regra. Mesmo já tendo uma ligação prévia com aqueles que se veem na tela, é difícil criar uma empatia. Se é assim com os antigos, imagine com os novos.

Mas Star Trek: Sem Fronteiras tem alguns bons momentos. A queda da Enterprise, por exemplo, mexe com aqueles que têm um vínculo com a história da nave. Mas é tudo muito rápido e pontual. No geral, fica devendo.

Ou seja, é um filme de ação onde sobram palavras e uma ficção científica que carece de ciência. Não que não divirta, mas ter sido antecedido pelos filmes de Abrams traz claramente uma expectativa que o longa não consegue superar.

É como se o que se vê voltasse novamente aos filmes com o pessoal da série clássica. Pode até entreter, mas isso não vai durar nada.

Um Grande Momento:
A queda.

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