(Speed Racer, EUA, 2008)

Ação

Direção: Andy Wachowski, Larry Wachowski

Elenco: Emile Hirsch, Christina Ricci, John Goodman, Susan Sarandon, Paulie Litt, Matthew Fox, Kick Gurry, Scott Porter, Benno Fürmann, Roger Allam, Richard Roundtree, Rain, Nicholas Elia, Ariel Elia

Roteiro: Tatsuo Yoshida (desenho animado), Andy Wachowski, Larry Wachowski

Duração: 135 min.

Minha Nota: 8/10

Sempre fui fã de Speed Racer. Apesar de o desenho ser bem anterior a minha época, gostava de assistir, mesmo com tanta gente achando velho e sem graça. O gostar aumentou muito depois de um namorado que eu tive, o Augusto, que se reunia todas as quintas-feiras com outros amigos para sessões de antigos episódios, uma cervejinha gelada e muitas histórias sobre o Mach 5.

Ao saber que o desenho seria adaptado para o cinema, fiquei meio em dúvida se seria uma boa idéia. Os Wachowski eram mesmo os mais indicados para uma transposição tão surreal. A psicodelia e os cenários mutantes tinham alguma chance na mão dos criadores de Matrix. Porém havia um problema: eles também arregalaram os olhos para os muitos cifrões e, num passado próximo, deram uma continuidade no mínimo desastrosa para a história de Neo e Morpheu. Ficou então a dúvida: o filme seria uma história recontada por alguém que a admirava ou seria mais uma desculpa para se ganhar milhões de dólares com efeitos especiais?

O primeiro trailer me deixou decepcionada. Embora tenha me lembrado muito alguns elementos do desenho, achei-o tumultuado e um pouco exagerado. Meu filho, que nunca viu um episódio sequer da animação, adorou a idéia de assistir a um filme cheio de carros em alta velocidade e por isso começamos a aguardar a estréia.

Por conta de uma crise de labirintite (coisa que nunca tive antes e que, segundo fontes seguras, tornaria a experiência no cinema impossível), a espera foi maior do que pensávamos. Eu fiquei um pouco desanimada com algumas críticas que li, mas o pequeno não parava de falar no filme um só minuto. Prometi que assim que melhorasse veria e confesso que já estava mais interessada em satisfazê-lo do que em assistir ao filme propriamente.

Sem tonturas e sem nenhuma expectativa lá fui eu ao cinema. O filme começou e foi exatamente neste momento que eu percebi que estava completamente enganada ao desistir do filme. Voltado basicamente para os adultos que, naquele momento, passam a ser crianças novamente e se divertem como há muito não faziam, é sensacional.

Diferente do que li e ouvi, o filme é fiel ao desenho sim e se tem novos elementos é porque, sem eles, seria impossível a mudança de formato. A velocidade e as cores estão muito presentes e com uma iluminação que nenhum desenho da época era capaz de produzir.

O elenco foi muito bem escolhido. Emile Hirsch no papel principal está bem; Christina Ricci, que eu sempre achei esquisita está linda; John Goodman e Susan Sarandon, sempre bons, dão um toque todo especial ao filme; o jovem Paulie Litt, no papel de Gorducho é excelente e tem a estrela de Lost, Matthew Fox, que ainda tem muito mais caras e bocas do que conteúdo, mas não compromete.

Claro que o filme também tem defeitos. O excesso de tela verde acaba comprometendo algumas cenas e o filme não tem uma boa definição de público. Em alguns momentos é sacal para as crianças e em outros é infantil demais para os adultos.

Mas é diversão garantida! As corridas são sensacionais e o passeio entre passado e presente é uma das melhores coisas do filme.

O que eu não consigo entender é o repúdio ao filme e muito menos as comparações geradas por esta implicância com o outro blockbuster do momento Homem de Ferro. Os dois são ótimos filmes, mas cada um a sua maneira e estilo.

Também acho que houve um problema de espectativa. Muitos esperavam um filme mais tranqüilo e com menos efeitos especiais e outros esperavam alguma obra com grande conteúdo e significado. Para mim, os primeiros não deveriam nunca ter escolhido um filme dos Wachowski e os segundos não deveriam escolher adaptações de desenhos animados.

Indignações à parte, é um bom programa para quem sempre gostou do desenho e para quem gosta de muita ação, carros e correria, mas não se importa que alguns elementos piegas da história original estejam ali também.

Indicado, principalmente, para quem quer, pelo menos por duas horas, brincar de ser criança novamente e para os pequenos, que ficam falando do filme sem parar depois de assisti-lo.

Ah, e reforçando a dica que me deram: se você tiver qualquer problema de equilíbrio, como uma labirintite, espere passar antes de entrar no cinema.

Um Grande Momento

O Casa-Cristo!



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