(We Are What We Are, EUA, 2013)
Suspense
Direção: Jim Mickle
Elenco: Kassie Wesley DePaiva, Julia Garner, Ambyr Childers, Jack Gore, Bill Sage, Kelly McGillis, Wyatt Russell, Michael Parks
Roteiro: Nick Damici, Jim Mickle
Duração: 105 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Uma mulher debilitada faz compras em uma loja e sai caminhando na chuva. Passando mal, após um acidente, ela acaba por se afogar. O começo de Somos o Que Somos é bastante promissor. A sequência inicial, bem construída, é misteriosa e envolvente.

O longa americano é inspirado em um filme mexicano de mesmo nome. Enquanto neste a história está sempre passando por questões sociais, a versão de Jim Mickle, escrita por ele e por Nick Damici, traz a questão para a religião. Essa mudança de motivação, interessantíssima, somada ao bom começo, faz com que a expectativa para o resultado final cresça naturalmente. Mas o longa não consegue corresponder a tudo aquilo que se espera dele.

Embora conte com uma boa produção, que inclui uma arte interessante de Russell Barnes, uma fotografia por vezes inspirada de Ryan Samul e uma boa trilha sonora, e traga um elenco que corresponde bem com seus papéis, a boa história acaba se perdendo nas muitas obviedades e facilitações características do cinema norte-americano.

Incapaz de se explicar, o roteiro acaba se entregando ao uso de flashbacks para justificar os hábitos daquela família que vive reclusa em uma espécie de camping de cidade do interior. Mal elaboradas e exageradas, essas voltas no tempo comprometem o ritmo. Principalmente pela superficialidade que todas apresentam.

Além disso, há outras inserções facilitadoras completamente desnecessárias, como o envolvimento da polícia no caso, que segue estritamente aquilo que está preconizado nas cartilhas de thrillers mal desenvolvidos. Outras obviedades também são complicadas de serem perdoadas, principalmente aquelas que tratam o espectador como alguém incapaz de entender o que está vendo.

Para piorar a situação, existe o filme mexicano no qual o longa se baseou. Ainda que não seja maravilhoso, o exemplar latino é tão mais interessante, tão mais preocupado com os detalhes e tão mais respeitoso com o espectador que é impossível não fazer várias comparações.

No fim das contas, o que fica de bom de Somos o Que Somos são alguns bons sustos, dois ou três; a boa atuação de Julia Garner, que já vem chamando a atenção desde sua participação em Electrick Children; a ponta da Kelly McGillis, bastante conhecida por seus filmes dos anos 80, e o final interessante.

De ruim, fica a sensação de que um pouco mais de crença no espectador e coragem poderiam fazer do filme uma daquelas experiências interessantíssimas.

Um Grande Momento:
A sequência inicial.

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