(The Peanuts Movie, EUA, 2015)

Animação
Direção: Steve Martino
Roteiro: Charles M. Schulz (tirinhas), Bryan Schulz, Craig Schulz, Cornelius Uliano
Duração: 88 min.
Nota: 9 ★★★★★★★★★☆

Quando você vê por aí, alguma camiseta do personagem Calvin (Calvin e Haroldo), canecas, adesivos e outros produtos, você está vendo produtos piratas. O criador do personagem, Bill Watterson, jamais permitiu qualquer reprodução ou licenciamento daquele garotinho loiro e seu tigre de pelúcia. Na opinião de Watterson, a mensagem do personagem poderia perder força, diluída em brinquedos, lanches, pijamas etc. Felizmente, Charles M. Schulz não pensava dessa forma e, desde a criação, Charlie Brown e sua turma fazem parte do cotidiano de várias gerações.

Graças a um projeto liderado pelo filho do criador das tirinhas Craig Schulz, responsável pelo roteiro da animação em parceria com seu filho Bryan Schulz e Cornelius Uliano; com produção da Blue Sky Studios e direção de Steven Martino (Horton e o Mundo dos Quem), chega às telas do cinema Snoopy & Charlie Brown: Penuts, O Filme, em versão 3D. Se tecnologicamente os personagens de M. Schulz estão atualizados, o carisma, humor e a universalidade dos personagens que atravessa séculos, permanecem iguais.

Primeiramente, o projeto estava sendo feito para fãs e conhecedores do quadrinhos, porém, próximo de sua finalização, muitas mudanças foram feitas na produção, pensando também nas novas gerações e nos “não fãs”. Assim, o longa não apresenta nada novo. Muito das piadas e situações já foram vistas nas tirinhas e especiais de televisão. Este “mais do mesmo” poderia parecer enfadonho e pouco criativo, mas, na verdade, o roteiro bem construído e bastante movimentado faz com que os 88 minutos do longa sejam bastante prazerosos.

A história começa quando os alunos voltam às aulas. Toda a turma está curiosa para saber quem é a nova aluna que mudou-se para o bairro. Charlie Brown vê nessa novidade uma chance de apresentar uma ótima primeira impressão para alguém que não conhece sua fama de atrapalhado e derrotado.

Trata-se da Garotinha Ruiva. Ao vê-la, imediatamente, Charlie está tremendamente apaixonado. Esse sentimento fará com que o ele se desdobre e faça de tudo para conquistar a atenção e porque não o coração da amada.

Snoopy-e-charlie-brown_interno

Paralelo a isso, Snoopy tentará ajudar seu amigo, por mais que às vezes termine atrapalhando. Mas o cachorro tem também seus próprios conflitos. Quando encontra uma máquina de escrever, inicia um romance cheio de intrigas, aventuras e um arquirrival com quem lutará para salvar sua amada, a cachorrinha poodle Fifi.

No longa Charlie Brown e Snoopy assumem papéis de destaque em relação a outros personagens, o que nas tirinhas fica menos evidente. De qualquer forma a presença de Linus, Patty Pimentinha, Lucy e tantos outros colabora para a reconstrução daquele universo nostálgico e alegre. Mesmo com rápidas participações, carregam o peso de muitas outras situações e de personalidades ricas e carismáticas.

O traço de M. Schulz ganha aliados poderosos nessa produção, cor e textura que deixam o desenho ainda mais bonito na tela. Contudo, cada detalhe do longa parece conter muito cuidado e respeito ao original. Não há, em momento algum, a tentativa de uma modernização ou releitura do universo original das tirinhas, o que é bastante acertado.

Em meio a tanto tempo desde seu surgimento e tantas mudanças comportamentais, Charlie Brown e seus amigos, uma turminha que vivia sem tablets e brincava na rua, mostra-se bastante atual e pertinente.

Um Grande Momento:
Charlie Brown aprendendo a dançar.

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