(Sing, EUA/GBR/JAN, 2016)
Animação
Direção: Garth Jennings, Christophe Lourdelet
Roteiro: Garth Jennings
Duração: 108 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Misturar música com animação dificilmente dá errado. A animação Sing: Quem Canta Seus Males Espanta aposta no casamento e consegue, eficientemente, entreter. Com uma trilha sonora que mistura música clássica, ópera, canções originais e aposta fortemente em sucessos do pop, é impossível se manter alheio ao que se vê na tela.

O filme conta a história de Buster Moon, um coala sonhador dono de um grande teatro. Depois de espetáculos fracassados, precisando de dinheiro para fazer reparos no lugar e quitar a dívida com o banco, ele tem uma ideia: criar um concurso de canto. Em um mundo de The Voice e afins, é engraçado a descrença dos personagens no formato.

Em uma divertida seleção, os candidatos são conhecidos, embora o público já tenha sido avisado de quais seriam os concorrentes que continuariam na disputa. E é aí, nessa apresentação prévia dos personagens que Sing transcende seu caráter de divertir.

Com personagens socialmente invisíveis, Garth Jennings – que assina o roteiro e co-dirige o filme ao lado de Christophe Lourdelet – faz uma crítica forte à sociedade atual e escancara o machismo e o desprezo pela vontade do próximo. Ali está a dona de casa que sequer é percebida pela família, a namorada tratada como incapaz pelo namorado, a jovem que precisa realizar o sonho da família e o jovem que quer agradar o pai fazendo aquilo que ele não deseja.

É curioso como ele trabalha duas coisas tão distintas, disfarçando momentos-denúncia com passagens musicais e eventos divertidos, mas deixando-os na cabeça de quem vê o filme. É como se toda aquela diversão fosse utilizada para fazer pensar, causando um estranhamento e uma certa repugnância ao modo como os personagens são tratados.

Há por trás da questão toda uma trama, que se movimenta graças à presença de um outro personagem, nada simpático e atrativo, que faz com que os acontecimentos tenham motivo e se amarrem. É este que dá motivo às sequências de ação, o que também contribui muito para o resultado final.

Sing: Quem Canta seus Males Espanta é aquele filme que diverte enquanto é assistido, e não fica na cabeça o espectador apenas pelas músicas cantadas e pelos momentos engraçados. A relação entre o futuro e o passado dos personagens e a mensagem de empoderamento permanecem com quem viu o filme.

Bom para crianças e adultos.

Um Grande Momento:
Shake It Off.

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