36ª MostraDrama
Direção: Andrea Segre
Elenco: Tao Zhao, Rade Serbedzija, Marco Paolini, Roberto Citran, Giuseppe Battiston
Roteiro: Andrea Segre, Marco Pettenello
Duração: 100 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆
(Io sono Li, ITA/FRA, 2011)

Quando vemos um filme italiano esperamos muito falatório e gesticulações, um comportamento típico do povo italiano. No entanto, o encontro um tanto inesperado da Itália com a China, nos traz um filme belo e sensível. As lindas paisagens italianas, vistas pelos olhos de uma chinesa, ganham contemplação e lirismo, nos fazendo sair ainda mais da Itália caricata e de lugares como Roma e Piazza de San Marcos ou alguma paisagem da Toscana. Aqui o pano de fundo é uma cidadezinha próxima a Veneza.

Improvável também é a amizade entre Shun Li e o poeta, na verdade o pescador iugoslavo Bepi, que se mudou para Itália há muito tempo e que reconhece em Li um espírito tão solitário quanto o seu. Li é enviada de Roma pela máfia chinesa de mão-de-obra para um café no litoral. Seu sonho é conseguir pagar sua dívida com seus chefes (pela documentação e viagem) e trazer o seu filho de oito anos para junto dela. A solidariedade entre os dois estrangeiros é imediata, contrastando com o preconceito, tanto dos chineses quanto dos italianos.

Os pontos fortes do filme são o belo e simples roteiro aliado à direção sensível do estreante Andrea Segre e as atuações de Tao Zhao e Rade Šerbedžija, que são irretocáveis. A fotografia é uma poesia visual, com as imagens do mar, das montanhas nevadas ou de uma cabana no meio do mar.

O filme é uma metáfora sobre solidariedade, amizade e tolerância, tendo como pano de fundo uma Itália fria no clima e nos moradores – que temem a tomada de estrangeiros dada a onda de imigração, que é a crítica que o filme carrega – e no entanto, bela e fascinante. Assim também é a película, que na verdade é um caloroso abraço e uma boa surpresa da Mostra.

Um Grande Momento

Na cabana.

Links

No IMDb