(My Week with Marilyn, GBR/EUA, 2011)

Drama
Direção: Simon Curtis
Elenco: Michelle Williams, Eddie Redmayne, Julia Ormond, Kenneth Branagh, Pip Torrens, Geraldine Somerville, Toby Jones, Robert Portal, Philip Jackson, Jim Carter, Dougray Scott, Dominic Cooper, Richard Clifford, Judi Dench, Zoë Wanamaker, Emma Watson
Roteiro: Colin Clark (livro), Adrian Hodges
Duração: 99 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Não existem palavras para descrever tudo o que era Marilyn Monroe em cena. Deslumbrante sem nunca perder o ar ingênuo e, mesmo sem ser uma grande atriz, a loira exercia um magnetismo incomparável quando atuava. Marilyn virou ícone e seu encantamento foi além do público de sua época, cativou artistas de diversas áreas, contaminou as gerações posteriores e é reconhecida até hoje.

Apesar de todo o deslumbramento que causava, da beleza, glamour e sucesso, Marilyn nunca foi uma pessoa muito feliz. Insegura ao extremo, com um eterno sentimento de abandono e uma consequente mania de perseguição, ela parecia ter em seus momentos de atuação contato com a doçura que nunca encontrara fora dos sets.

Mas não deixava de causar dores de cabeça em muitos realizadores e colegas de cena. Embora o resultado final fosse belo, não era fácil filmar com a super estrela. Sete Dias com Marilyn remete a uma dessas filmagens, a de O Principe Encantado, dirigido e atuado pelo não menos difícil, mas muito mais artisticamente qualificado, Sir Laurence Olivier.

Quem conta a história é Colin Clark, contratado pela produção como terceiro diretor e assistente de Sir Olivier mas que cai nas graças da bela atriz americana e passa a ser o seu companheiro constante depois que o marido de Marilyn, Arthur Miller, resolve deixá-la para passar uma temporada em Paris.

A história, baseada em fatos reais, é interessante, mas não consegue fisgar o seu público como poderia. A sensação de que alguma coisa está faltando é constante, mas cinéfilos e amantes do cinema acabam se rendendo pelo valor histórico do que está sendo visto na tela. É muito interessante, por exemplo, ver em um mesmo set o repúdio de Sir Olivier pelo Método de Strasberg e a total dependência de Monroe, a ponto de não conseguir respirar sem Paula, esposa do guru da interpretação em Holywood, por perto. Outros nomes conhecidos do cinema também passeiam pela tela, como as atrizes Vivian Leigh, esposa de Olivier, e Sybil Thorndike, vividas respectivamente por Julia Ormond e Judi Dench.

Um dos problemas da narrativa está na figura do protagonista Clark. Ainda que bem interpretado pelo jovem Eddie Redmayne, o personagem acaba se perdendo em meio a tantas histórias e personalidades e assim chega a não justificar a história contada por aquele viés. O mesmo pode ser dito da relação com a figurinista Lucy.

Ainda que tenha problemas e muito além do interesse causado pelas curiosidades que revela, o filme tem duas preciosidades: Kenneth Branagh e Michelle Williams. Branagh está fantástico com a sua releitura de Laurence Olivier, um dos maiores atores britânicos da história e, no filme, em sua primeira tentativa como diretor de um texto não hamletiano. Williams é muito mais do que se poderia imaginar antes da projeção e mais do que se espera depois da primeira cena musical do filme, onde as diferenças entre ela e Marilyn são evidentes. Mesclando uma inesperada sensualidade, candura e insegurança, ela entrega ao público uma personagem tão palpável e verdadeira que é impossível não se encantar.

E é essa atuação que vale não só o filme, mas a homenagem prestada à Marylin Monroe quando se completam 50 anos de sua morte. Não poderia ser mais tocante e mais completa. E gostoso cala a boca para os muitos que, como eu, não acreditaram que Michelle Williams seria capaz de reviver o mito.

Um Grande Momento

 

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