(Self/less, EUA, 2015)

Ficção Científica
Direção: Tarsem Singh
Elenco: Ryan Reynolds, Natalie Martinez, Matthew Goode, Ben Kingsley, Victor Garber, Derek Luke, Jaynee-Lynne Kinchen
Roteiro: David Pastor, Àlex Pastor
Duração: 117 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

O futuro costuma ser o principal objeto da ficção científica. Nos primórdios do cinema, Georges Méliès imaginou o homem chegando a lua, hoje, com o avanço da tecnologia, principalmente no que diz respeito à área médica, os filmes de ficção científica desse nicho específico tentam adivinhar o próximo passo.

Sem Retorno conta a história de um magnata dos negócios que, à beira da morte por conta de um câncer terminal, aceita participar de um experimento de mudança de corpo. É assim que Damian vai dormir como Ben Kingsley e acorda no corpo de Ryan Reynolds.

Acompanhado de perto pelos realizadores da experiência, que providenciam toda a estrutura para que seus pacientes tenham uma vida confortável após a troca, e um suprimento constante de medicamentos para prevenir estranhos surtos psicóticos, Damian percebe que há algo errado e resolve descobrir o que é.

A direção é assinada por Tarsem Singh, que já criou os interessantes Dublê de Anjo e A Cela, mas parece ter se adequado ao esquemão depois de Imortais e Espelho, Espelho Meu e comprova, com Sem Retorno que está cada vez menos inspirado em suas curiosas extravagâncias visuais. Quem assina o roteiro são os irmãos David e Àlex Pastor, que chamaram atenção com seu filme Los últimos dias.

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Mal elaborado enquanto narrativa, o longa-metragem desperdiça uma boa premissa em uma sucessão de cenas mal construídas e pouco convincentes, principalmente depois da metade do filme. Ao abandonar seu gênero primeiro e se transformar em mais um dos muitos filmes de ação que se aproveitam do tema, a preguiça toma conta do roteiro, que não consegue, nem de longe, manter alguma coerência.

O modo como as descobertas acontecem, a facilidade com que algumas conexões se realizam e os toques melodramáticos em relações mal trabalhadas só não são piores do que o exagero da direção de arte, exagerada em seus lustres, mas ainda mais pavorosa na decoração em ouro do apartamento do ricaço.

Perdidos entre os exageros e as reviravoltas, os bons atores não conseguem chegar muito longe com suas interpretações. Kingsley parece sempre perdido quanto à composição do personagem, o que interfere diretamente na atuação posterior de Reynolds, que não consegue interioriza-lo e passa o filme quase todo com a mesma cara. Matthew Goode também não acerta o tom do seu vilão e a impressão é a de que todos estão contidos demais, limitados a uma caracterização que não conseguiram assimilar.

Sem falar na previsibilidade da trama depois que ela se entrega à violência gratuita, bastante comum em filmes que não conseguem imaginar desfechos elaborados a um argumento que poderia render coisas mais interessantes.

O mesmo pode ser dito da solução final e seu vídeo explicativo. Frustrante, mas não tinha muito mais o que se fazer depois de perder a história por completo.

Um Grande Momento:
Não tem.

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