(Sem Pena, BRA, 2014)

Documentário
Direção: Eugenio Puppo
Roteiro: Eugenio Puppo
Duração: 89 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Em um momento de tanto engajamento político, onde as pessoas, depois de acompanhar por dias a timeline do Facebook, julgam ter pleno conhecimento de questões fundamentais para a sociedade brasileira, e saem a bradar pela redução da maioridade penal ou pela pena capital, acho que uma ida ao cinema para conferir o documentário Sem Pena é mais do que necessária.

Necessária para para esvaziar discursos cheios de soluções mirabolantes e milagrosas, necessária para conhecer a realidade do país onde se vive, necessária para saber que o problema é tão grande que está aí, batendo na porta de cada um.

Ao focar nas várias fases do processo penal, do momento da prisão até a execução da pena, Eugenio Puppo faz um passeio por uma das maiores mazelas da sociedade brasileira. A abordagem ainda é superficial, pontual, mas ainda assim é duríssima. No Brasil, a população carcerária já ultrapassou a marca de 700 mil. Entre os presidiários, inocentes, culpados e pessoas que já pagaram pelo crime que cometeram. Os problemas do sistema não estão apenas no cárcere. Há ainda a corrupção na polícia, despreparo nas instâncias judiciais.

O longa vai acompanhando depoimentos reais, como o artista inocente preso por engano ou a usuária de droga presa por tráfico, para estabelecer o princípio do problema, antes da denúncia oferecida pela polícia. E segue por esse caminho depois da condenação, falando um pouco sobre o que é a vida atrás das grades e sobre o funcionamento do sistema judiciário.

Ao escolher não dar rosto a seus personagens, Puppo torna a angústia ainda maior. Aquele relato que estamos ouvindo poderia ter sido de qualquer pessoa, de um desconhecido, de alguém próximo e de nós mesmo. É a despersonificação que traz o problema para dentro de cada um de nós. E a sensação de impotência é terrível.

Assim como é terrível o sentimento de que a situação chegou a um ponto que não tem mais para onde avançar e é irreversível. O que fazer com todas aquelas pessoas que se encontram naquela situação? O que fazer para evitar que outras pessoas cheguem ali? Como solucionar problemas pontuais que tornam um sistema tão ineficiente em algo ainda mais falho e improdutivo?

Doutrinas jurídicas, estudos socioatropológicos, revisões legais, resoluções e mutirões do Conselho Nacional de Justiça não conseguiram chegar nem perto de uma resposta, ou de uma solução. A única coisa que se tem certeza é de que do jeito que hoje está, não dá mais para ficar. E inflar ainda mais esse problema não ajuda.

Então, aproveitando que todo mundo está em um movimento de querer melhorar o Brasil, por mais diversa que seja a linha ideológica defendida, essa é uma ótima oportunidade de ver a que ponto chegamos.

Um Grande Momento:
Dona Sônia.

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