(Stoker, GBR/EUA, 2013)

Suspense
Direção: Park Chan-Wook
Elenco: Mia Wasikowska, Nicole Kidman, Matthew Goode, Phyllis Somerville, Alden Ehrenreich, Jacki Weaver, Dermot Mulroney
Roteiro: Wentworth Miller, Erin Cressida Wilson
Duração: 99 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Personagens marcantes, reviravoltas bem posicionadas e tensão crescente são marcas registradas do diretor sul-coreano Park Chan-wook, mas se há algo que realmente destaca o seu cinema do que é produzido hoje em dia, é a sua capacidade de criar visuais de tirar o fôlego. Tudo que está no quadro é utilizado cuidadosamente para receber a história contada e envolver o espectador de tal maneira que é impossível se manter alheio ao que está sendo projetado na tela. Mais conhecido pela já considerada clássica Trilogia Vingança, com os filmes Mr. Vingança, Old Boy e Lady Vingança, Chan-wook tem agora a sua primeira experiência no cinema hollywoodiano: o suspense Segredos de Sangue.

Protagonizado por nomes conhecidos como Nicole Kidman, Mia Wasikowska e Matthew Goode, o filme conta a história de uma jovem que acaba de perder o pai. Depois do acidente, um tio, de quem nunca ouvira falar antes, muda-se para a casa onde a menina mora com sua descompensada mãe.

Desde os primeiros momentos, como não poderia deixar de ser, Segredos de Sangue impressiona pela precisão visual. Com desenho de produção assinado pela competente Thérèse DePrez (Cisne Negro) e direção de fotografia do colaborador de longa data Chung Chung-hoon (Sede de Sangue), os quadros chamam a atenção pelo seu equilíbrio. É tudo tão bonito, que a história acaba ficando relegada a um segundo plano.

Mas não de imediato. A trama segue muito bem até o terceiro ato, explorando a relação entre aquelas três figuras disfuncionais que de alguma maneira lembram algo parecido com uma família e mantendo o suspense e a tensão crescente que dele deriva. Entre situações testemunhadas parcialmente, confusões entre realidade e devaneio e poucas palavras, a história vai se construindo sem nunca deixar de causar dúvida em quem a assiste.

Tudo muito bem encaminhado, até que, ao se aproximar da conclusão, as coisas começam a se perder progressivamente. Facilidades desnecessárias (ainda que plasticamente muito bonitas) acabam entrando em cena e provocam um desfecho pouco envolvente, que nada tem a ver com o clima desenvolvido até então. Mas nada que estrague tanto a ponto de desmerecer a ida ao cinema.

Mia Wasikowska (Alice no País das Maravilhas e Jane Eyre), competente como sempre, já demonstrou que a sua aparente fragilidade em nada afeta na construção de personalidades diversas, como a aqui perturbada e introvertida India Stoker. Nicole Kidman (As Horas) também está bem no papel da mãe solitária e Mathew Goode (Match Point – Ponto Final) convence como o indecifrável tio recém-chegado. O filme conta ainda com pontas interessantes de Jacki Weaver (O Lado Bom da Vida) e do sumido Dermot Mulroney (A Perseguição).

Seguindo a tradição, Chan-wook oferece ao público mais uma experiência visual surpreendente e imperdível. Pena que dessa vez a história não se desenvolva de maneira tão interessante e não consiga se manter por toda a duração do filme.

Um Grande Momento:
Levando o sorvete para o freezer.

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