(The Hangover, EUA/ALE, 2009)

Depois de sofrer com “Cara, Cadê Meu Carro?”, era normal manter uma distância segura de toda e qualquer produção cinematográfica estadunidense cômica que se referisse ao assunto amnésia do dia seguinte de baladas.

Se alguém tem a idéia brilhante de entitular o filme de “Se Beber, Não Case” então, aí é que a coisa se complica e a boa vontade praticamente some.

Mas “The Hangover”, que significa “a ressaca” em português, tinha alguma coisa de especial e foi o seu sucesso lá fora que atraiu um grande número de pessoas aos cinemas do país. E, melhor, não decepcionava quem o via. Principalmente se o objetivo desta pessoa era se divertir.

Na tela vemos a história de um grupo de amigos que se reúne para uma viagem a Las Vegas, onde farão a despedida de solteiro de um deles. Depois de uma super noitada, os três padrinhos acordam em uma suíte completamente destruida e encontram um bebê no armário, um tigre no banheiro e, o pior de tudo, não têm a menor idéia do que aconteceu ao noivo, que sumiu sem deixar vestígios, e nem a eles mesmos na noite anterior.

Sem uma linha narrativa tradicional, que respeita a cronologia, Todd Phillips consegue tornar uma história previsível e de temática repetitiva em uma divertida experiência para todos. Ao apelar para sensações masculinas, ganha esta parte da platéia, mas diverte as mulheres igualmente, que não conhecem tão bem a natureza, mas supõe o potencial.

As personagens têm aspectos muito interessantes e diversos. Enquanto um deles quer se casar com uma mulher dominadora e manipuladora, ontro reavalia o seu casamento. O terceiro amigo, uma figura engraçadíssima, é o novo da turma e está radiante por ter sido aceito.

Muito da força vem do inusitado das situações e da química entre os atores, bons comediantes. Embora não sejam muito conhecidos do publico e tenham uma vasta experiência em papéis secundários, Bradley Cooper, Ed Helms e Justin Bartha foram escolhas acertadas. Assim como Zach Galifianakis e seu bobão Alan, que rouba todas as cenas. O elenco de apoio também está muito bem e até Mike Tyson faz uma ponta.

No mais, sobram piadas bestas e as falhas técnicas não são tão raras como deveriam, mas o conjunto da obra funciona bem e o público não consegue escapar das gargalhadas.

Despretensioso, supera as expectativas e diverte. Mas como sucesso é uma coisa rara atualmente em Hollywood, o recordista de bilheteria já tem uma continuação prevista e a chance de dar certo é muito remota.

Muito melhor do que outros títulos que brincam com a ressaca e, mesmo com um nome esdrúxulo, é um bom programa.

Aqueles que esperam alguma coisa mais profunda devem evitar.

Um Grande Momento

Descendo as escadas rolantes .

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Comédia
Direção: Todd Phillips
Elenco: Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis, Justin Bartha, Heather Graham, Sasha Barrese, Jeffrey Tambor, Ken Jeong, Rachael Harris, Mike Tyson
Roteiro: Jon Lucas, Scott Moore
Duração: 100 min.
Minha nota: 7/10