(Salve Geral, BRA, 2009)

Estréia amanhã nas salas de cinema do país, o filme Salve Geral, inspirado nos atentados terroristas do Primeiro Comando da Capital (PCC) – organização criminosa da capital paulista – que deixaram a cidade em pânico com ataques armados depois da transferência de seus líderes para presídios de segurança máxima.

O tema poderia gerar uma bom drama reflexivo, que fizesse pensar a violência urbana, suas consequências e o modo como ela é vivenciada por cada um de nós, ou mesmo um bom filme de ação, mas nenhum dos dois padrões é alcançado como deveria.

Os ataques são suficientes em si mesmos para provocar uma ligação dos espectadores com a trama e, junto com eles o diretor Sérgio Rezende, também roteirista ao lado de Patrícia Andrade, cria um vínculo mais real e profundo com toda a falta de controle daquele momento ao optar por romantizar a vida de uma mãe que acaba se envolvendo com a organização depois que seu filho é preso.

É interessante ver que em um universo plausível, diversas camadas sociais conseguem ser personificadas e trazidas para dentro da trama. Ainda que falte alguma coisa, as engrenagens de um sistema podre são explicitadas e a inércia com que a maioria das pessas leva a vida também.

A força do filme estaria aí, neste retrato, no funcionamento dessa máquina, mas, infelizmente, o filme não é tão profundo e só consegue se manter graças à de Andréa Beltrão e sua Lúcia, uma mãe sofrida e desesperada. Junto com ela, merecem destaque Denise Weinberg, Eucir de Souza, Bruno Perillo, Kiko Mascarenhas, Giulio Lopes, Michel Gomes, Lee Thalor e Guilherme Sant’Anna.

Mesmo com tantos bons nomes, porém, o filme sofre com a irregularidade do elenco. Alguns bons atores estão exagerados e chegam perto da caricatura, mas o pior são os papéis menores, daqueles que têm apenas uma ou duas falas, e demonstram claramente a sua falta de intimidade com a câmera.

O roteiro sofre com a quantidade excessiva de personagens, que nunca são trabalhados o suficiente, e informações que não são fundamentais para o desenvolvimento da história. O andar frouxo só melhora quando a ação começa, mas decepciona ao se render a lugares comuns de filmes estadunidenses de perseguição.

Ao final do filme, a sensação é de falta de objetivo. Mas mesmo com esse grave problema, a inversão de valores e uma incômoda conivência com o que não sabe explicar, o filme impressiona ao tentar mostrar como estamos inertes dentro da situação e ao voltar a um episódio marcante da história recente, principalmente, na vida dos paulistanos, que saem do cinema mais impressionados que os demais espectadores.

O nome Salve Geral vem da senha usada pelo PCC para decretar os ataques iniciados na sexta-feira 13 de maio de 2006, ns vésperas do saidão do dia das mães.

Um Grande MomentoA Paulista deserta.

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Drama
Direção: Sérgio Rezende
Elenco: Andréa Beltrão, Denise Weinberg, Lee Thalor, Eucir de Souza, Kiko Mascarenhas, Michel Gomes, Giulio Lopes, Guilherme Sant’Anna, Bruno Perillo, Chris Couto, Juliano Cazarré
Roteiro: Sérgio Rezende, Patrícia Andrade
Duração: 120 min.
Minha nota: 5/10