(Salt, EUA, 2010)

Ação
Direção: Phillip Noyce
Elenco: Angelina Jolie, Liev Schreiber, Chiwetel Ejiofor, Daniel Pearce, August Diehl, Daniel Olbrychski
Roteiro: Kurt Wimmer
Duração: 100 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆
Salt deveria ser o novo-Bourne, não há duvidas. Drama de ação intenso e beneficiado pela presença de uma atriz carismática e de alcance dramático razoável, o longa até ensaia surpreender nossas expectativas quando, logo em sua introdução, nos apresenta a uma protagonista fisicamente fragilizada mas psicologicamente estável, embora esteja apenas esperando a morte (“Eu deveria ser descartada”). Neste momento, descobrimos que seu resgate é apenas uma guinada política e nada tem a ver com sua importância individual, o que imediatamente nos induz a antecipar a jornada que virá a seguir como um arco dramático mais intimista, apesar da ação desenfreada – algo com o qual nos habituamos depois de anos acompanhando dramas maravilhosos como a série 24 Horas e, é claro, a trilogia Bourne. Infelizmente, porém, Salt segue o caminho de transformar aquilo que poderia ser um grande drama de conflitos internos em apenas mais um filme de ação com Angelina Jolie.

Sem qualquer ambição dramática em sua trama, Salt encontra sua maior fraqueza no roteiro bobinho de Kurt Wimmer (responsável pelo ótimo Equilibrium e também pelo horrendo Ultravioleta), que se contenta em simplesmente reciclar a fórmula politico-terrorista que envolve a ameaça a um ou mais governantes – e que, invariavelmente, culmina num ataque ao presidente americano.

Frágil em sua essência, porém, o longa encontra força absoluta na direção durona e inteligente de Phillip Noyce, que traz saltos vertiginosos, batidas de carro claustrofóbicas e muitos ângulos de câmera de tirar o fôlego. Tudo isso embalado num ritmo constante e empolgante, seguindo os passos enérgicos de uma protagonista sempre interessante que, a cada golpe recebido, demora pouco mais que instantes para recuperar o controle da situação e reverter o jogo contra seus adversários. Neste sentido, aliás, Salt difere positivamente do impecável A Identidade Bourne, já que naquele filme o espectador estava sempre ao lado do personagem de Matt Damon, descobrindo as reviravoltas junto ao rapaz, enquanto aqui a espiã de Jolie está constantemente a frente, surpreendendo o espectador com sua logo previsível imprevisibilidade.

Mas seria falso dizer que Salt se resume a ação a mil por hora e drama zero, já que fica claro ao longo da narrativa a importância do gentil Mike Krause para Evelyn Salt – e por isso compreendemos (embora desconfiemos de trapaça) sua preocupação angustiada pelo marido, que mais do que uma paixão genuína, é literalmente um herói. E assim volto ao ponto inicial: Salt deveria e poderia facilmente ter sido o novo-Bourne, bastava regular um pouco mais a atenção à trama política e investir sua preciosa energia no desenvolvimento individual de seus personagens.

O que nos leva ao desfecho simultaneamente estúpido e genial da produção, que, mais do que prometer continuidade, é a reticência ideal para a exploração da protagonista. Estúpido porque não resiste aos clichês do gênero, genial porque encerra no momento em que respiramos fundo para nos preparar – sem nos dar a chance de relaxar novamente.

Não até o final dos créditos, pelo menos.

Um Grande Momento

Salt pendurada por um par de algemas.

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