Crítica | Streaming e VoD

O Melhor. Natal. De Todos!

Trupe dos rejeitados

(Best. Christmas. Ever!, EUA, 2023)
Nota  
  • Gênero: Comédia
  • Direção: Mary Lambert
  • Roteiro: Charles Shyer, Todd Calgi Gallicano
  • Elenco: Heather Graham, Brandy Norwood, Jason Biggs, Matt Cedeño, Wyatt Hunt, Abby Villasmil, Madison Skye Validum
  • Duração: 77 minutos

Atualmente, nenhuma produção da Netflix está fazendo mais sucesso que O Melhor. Natal. De Todos!, o primeiro filme da data mais festiva do ano para os canais de streamings. Ao todo, perdemos a conta de quantos filmes para o período são produzidos, e até temos um estranhamento em 2023 por, em pleno novembro, esse ainda ser o único lançado, quando normalmente nesse período já temos um caminhão de opções. A julgar pela qualidade do primeiro exemplar, poderíamos sonhar para que a quantidade diminua drasticamente, já que não há motivo suficiente para assistir a essa nova produção. Só o fato de ser passado no período justifica como resposta de seu sucesso, que acredita-se, nem irá durar tanto assim. 

Mary Lambert fez História ao dirigir alguns dos clipes mais icônicos de Madonna. Sintam a lista: ‘Like a Prayer’, ‘Like a Virgin’, ‘Material Girl’, ‘La Isla Bonita’ e ‘Borderline’. Ainda esteve presente na carreira de Janet Jackson, Sting, Simply Red e Rod Stewart, isso tudo antes de estrear no cinema com um marco, os dois primeiros Cemitério Maldito. Sua carreira nunca foi muito adiante esse início promissor, o que é uma pena e talvez seja respondido pelo machismo que ainda rege a indústria, mas que no início dos anos 90 era ainda mais forte. Seu nome por trás de O Melhor. Natal. De Todos! nos faz ficar feliz por ela, mas triste do lugar onde uma artista desse porte tenha aceitado estar, uma produção de encomenda. 

O elenco é encabeçado por duas enormes promessas de duas décadas atrás, Heather Graham (de Boogie Nights e Os Picaretas) e Jason Biggs (o protagonista de American Pie e que chegou a ser alter ego de Woody Allen em Igual a Tudo na Vida). Ambos também compartilham com Lambert o fato de não terem ido para frente em Hollywood, apesar do talento que sempre demonstraram, mas sabemos que a luz não brilhará para todos, por mais talento envolvido que haja. Estarem os três juntos em O Melhor. Natal. De Todos!, mais a cantora Brandy Norwood que também não deu continuidade ao status de revelação que teve, mostra que o filme parece muito mais uma tábua onde se encontraram um grupo de profissionais que mereciam mais do futuro. 

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Não à toa esse é um dos motes narrativos do filme, uma família comandada por uma mulher cujos sonhos, individuais ou coletivos, não foram realizados, embora tenha sido colocado sobre ela muitas expectativas. Sua primeira reação, ao perceber que uma ex-colega de faculdade teve a vida que não foi destinada a ela, é duvidar dos feitos da moça. Essa premissa parece sintomática para juntar todo esse grupo, que provavelmente ouviu o mesmo que Charlotte, durante sua vida. Mas nada justifica o roteiro de Charles Shyer, indicado ao Oscar (por A Recruta Benjamin) e escritor de inúmeros hits, como O Pai da Noiva, Operação Cupido, Presente de Grego e Alfie, O Sedutor. Caído em desgraça, demorou quase 20 anos para emplacar um novo filme, esse é o segundo dessa nova leva. Talvez fosse melhor continuar aposentado. 

Não há textura suficiente em realização ou escrita que seja algo aproveitável, e todas as ideias visuais ou narrativas de O Melhor. Natal. De Todos! ou não são boas, ou parecem copiadas de outros produtos similares. Tudo soa artificial, cenários e falas, e nenhuma situação se desenrola por tempo suficiente para que nos importemos, usando a destruição da casa de bonecas como exemplo. A neve que cai é falsa, a casa gigantesca (e cujo tamanho é bem evidenciado) por dentro parece diminuta, tudo que é um problema é resolvido em 5 minutos. Ok, posso estar sem a boa vontade necessária para um “filme familiar feito para que crianças pequenas continuem acreditando em Papai Noel”, mas não acho que devemos subestimar o direito da audiência em ter boas produções como passatempo. 

Queremos sim Lambert, Graham, Biggs e Brandy em bons lugares, mas não a qualquer custo. O Melhor. Natal. De Todos!, já estamos vendo, é sucesso e deve estar agregando, além de números para a contagem anual ‘netfixiana’, boas conversas de família sobre festas que não deram certo. Mas suas tentativas de ficar na memória descem pelo ralo cena após cena, e muitas delas provocam mais pena do que admiração. E a temporada só está começando, vamos rezar para que os próximos títulos elevem bastante o nível da competição de fim de ano nos lares cinéfilos. 

Um grande momento

A apresentação da casa de boneca

Francisco Carbone

Jornalista, crítico de cinema por acaso, amante da sala escura por opção; um cara que não consegue se decidir entre Limite e "Os Saltimbancos Trapalhões", entre Sharon Stone e Marisa Paredes... porque escolheu o Cinema.
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