Um pouco mais sobre o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira

Dezembro já está logo ali e começam a fervilhar pela internet palpites e notícias sobre o Oscar 2016. O Cenas de Cinema resolveu juntar todas as informações já recebidas nesse especial Rumo ao Oscar.

A cerimônia de premiação do próximo ano, em sua 88ª edição, acontece no dia 28 de fevereiro. O apresentador do evento será Chris Rock que, pela segunda vez, comanda a noite no Dolby Theatre, em Hollywood. Há uma previsão para que o evento seja transmitido no Brasil pelo canal TNT, como nos anos anteriores.

Antes de chegarmos ao grande dia, várias são as listas de categorias, com os filmes que se inscreveram para participar das pré-seleções e outros já pré-selecionados. As peneiras vão filtrando o grande número de concorrentes até chegar ao número de cinco filmes, na maioria das categorias. O anúncio da lista final de indicados acontece no dia 14 de janeiro de 2016, às 9h30.

Vamos começar nossa coluna com a lista de filmes indicados por seus países para concorrer a uma vaga na categoria Melhor Filme de Língua Estrangeira. A estatueta para esta categoria é entregue regularmente desde 1957, apesar de alguns filmes já terem sido premiados anteriormente, com um prêmio especial para melhor filme estrangeiro lançado nos Estados Unidos, mas sem ser uma categoria específica e nem ter o caráter anual.

Desde então, todos os anos, os países podem enviar à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood títulos que possam representá-los dentro da competição. O título é escolhido pelo próprio país, que pode ou não levar em consideração características comuns aos outros premiados.

Ser o filme indicado por seu país, nem sempre quer dizer que este seja o melhor do filme produzido por lá naquele ano. Por vezes, filmes muito mais incisivos ou interessantes artisticamente são preteridos para dar lugar a filmes que seguem as características da competição.

Como indica o nome da categoria, para que possam participar, os filmes devem ser falados, na maior parte do tempo de duração do filme, em língua não inglesa.

Premiados

Durante todos os anos em que as estatuetas foram entregues a representantes internacionais, o grande maioria dos títulos premiados foi européia. Desde 48, foram 54 títulos da Europa. A Ásia aparece em seguida, com cinco estatuetas, e as Américas e a África receberam três estatuetas cada.

Dois italianos podem ser considerados os maiores vencedores de Oscares por filmes estrangeiros: Federico Fellini, com quatro estatuetas, e, se considerados os prêmios especiais entregues antes de 57, Vittorio de Sica, também com quatro. O primeiro foi premiado pelos filmes A Estrada, Noites de Cabíria, e Amarcord; o segundo, por Vítimas da Tormenta, Ladrões de Bicicleta, Ontem, Hoje e Amanhã e O Jardim dos Fizi Contini.

Os premiados nos últimos cinco anos foram os filmes, em ordem decrescente, Ida, da Polônia; A Grande Beleza, da Itália; Amor, da Áustria; A Separação, do Irã; Em um Mundo Melhor, da Dinamarca.

Participação brasileira

A participação brasileira é tímida no Oscar. O Brasil nunca ganhou uma estatueta e já esteve entre os cinco concorrentes da categoria por apenas quatro vezes. Com o ganhador da Palma de Ouro em Cannes O Pagador de Promessas, em 1963; O Quatrilho, em 1996; O Que É Isso, Companheiro?, em 1998, e Central do Brasil, em 1999. Desde então, nenhum dos filmes selecionados conseguiu estar entre os finalistas.

A seleção é feita por uma comissão especial do Ministério da Cultura, com representantes de órgãos governamentais e profissionais de cinema. Este ano, o filme indicado pelo Brasil foi Que Horas Ela Volta?, dirigido por Anna Muylaert. Segundo previsões, o filme deve estar entre os cinco finalistas, mas junto com fortes concorrentes ao prêmio, como o húngaro O Filho de Saul e o taiwanês A Assassina.

Oscar 2016

Neste ano, 81 filmes foram indicados por seus países, destes nove serão escolhidos para continuar na disputa. O anúncio da próxima classificação sai em meados de dezembro. Confira a lista completa:

Afeganistão: Utopia, de Hassan Nazer – desclassificado porque mais da metade do filme é falada em inglês;
Àfrica do Sul: Thina Sobabili: The Two of Us, de Ernest Nkosi;
Albânia: Bota, de Iris Elezi, Thomas Logoreci;
Alemanha: Labirinto de Mentiras, de Giulio Ricciarelli [Mostra de São Paulo];
Argélia: Crépuscule des ombres, de Mohamed Lakhdar Hamina;
Argentina: O Clã, de Pablo Trapero [Festival do Rio];
Austrália: Arrows of the Thunder Dragon, de Greg Sneddon;
Áustria: Boa Noite, Mamãe, de Veronika Franz e Severin Fiala;
Bangladesh: Jalal’s Story, de Abu Shahed Emon;
Bélgica: O Novíssimo Testamento, de Jaco Van Dormael;
Bósnia e Herzegovina: Our Everyday Story, de Ines Tanović;
Brasil: Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert [Circuito];
Bulgária: The Judgment, de Stephan Komandarev;
Camboja: The Last Reel, de Sotho Kulikar;
Canadá: Félix and Meira, de Maxime Giroux;
Cazaquistão: Stranger, de Yermek Tursunov;
Chile: O Clube, de Pablo Larraín [Circuito];
China: Go Away Mr. Tumor, de Han Yan;
Colômbia: O Abraço da Serpente, de Ciro Guerra [Mostra de São Paulo];
Coreia do Sul: The Throne, de Lee Joon-ik;
Costa do Marfim: Run, de Philippe Lacôte;
Costa Rica: Imprisoned, de Esteban Ramírez;
Croácia: Sol a Pino, de Dalibor Matanić [Festival do Rio];
Dinamarca: Guerra, de Tobias Lindholm [Mostra de São Paulo];
Eslováquia: Koza, de Ivan Ostrochovský [Festival do Rio];
Eslovênia: The Tree, de Sonja Prosenc;
Espanha: Flowers, de Jon Garaño e Jose Mari Goenaga;
Estônia: 1944, de Elmo Nüganen;
Etiópia: Cordeiro, de Yared Zeleke [Mostra de São Paulo];
Filipinas: Heneral Luna, de Jerrold Tarog;
Finlândia: O Esgrimista, de Klaus Härö [Mostra de São Paulo];
França: Cinco Graças, de Deniz Gamze Ergüven [Festival do Rio];
Geórgia: Moira, de Levan Tutberidze;
Grécia: Xenia, de Panos H. Koutras;
Guatemala: Ixcanul, de Jayro Bustamante [Mostra de São Paulo];
Hong Kong: To the Fore, de Dante Lam;
Hungria: O Filho de Saul, de László Nemes [Mostra de São Paulo];
Índia: Tribunal, de Chaitanya Tamhane [Festival do Rio];
Irã: Muhammad: The Messenger of God, de Majid Majidi;
Iraque: Memories on Stone, de Shawkat Amin Korki;
Irlanda: Viva, de Paddy Breathnach;
Islândia: A Ovelha Negra, de Grímur Hákonarson [Mostra de São Paulo];
Israel: Baba Joon, de Yuval Delshad;
Itália: Don’t Be Bad, de Claudio Caligari;
Japão: 100 Yen Love, de Masaharu Take;
Jordânia: O Lobo do Deserto, de Naji Abu Nowar;
Kosovo: Pai, de Visar Morina [Mostra de São Paulo];
Letônia: Modris, de Juris Kursietis;
Líbano: Void, de Naji Bechara, Jad Beyrouthy, Zeina Makki, Tarek Korkomaz, Christelle Ighniades, Maria Abdel Karim e Salim Haber;
Lituânia: O Verão de Saigailé, de Alanté Kavaïté [Mostra de São Paulo];
Luxemburgo: Baby (A)lone, de Donato Rotunno;
Macedônia: Honey Night, de Ivo Trajkov;
Malásia: Men Who Save the World, de Liew Seng Tat;
Marrocos: Aida, de Driss Mrini;
México: 600 Milhas, de Gabriel Ripstein [Festival do Rio];
Montenegro: You Carry Me, de Ivona Juka;
Nepal: Talakjung vs Tulke, de Basnet Nischal;
Noruega: The Wave, de Roar Uthaug;
Países Baios: The Paradise Suite, de Joost van Ginkel;
Palestina: The Wanted 18, de Amer Shomali e Paul Cowan;
Paquistão: Moor, de Jami;
Paraguai: Cloudy Times, de Arami Ullón;
Peru: NN, de Héctor Gálvez;
Polônia: 11 Minutos, de Jerzy Skolimowski [Festival do Rio];
Portugal: As Mil e Uma Noites: Volume 2 – O Desolado, de Miguel Gomes [Mostra de São Paulo];
Quirguistão: Nômade Celestial, de Mirlan Abdykalykov [Mostra de São Paulo];
Reino Unido: Under Milk Wood, de Kevin Allen;
República Checa: Home Care, de Slavek Horak;
República Dominicana: Sand Dollars, de Laura Amelia Guzmán e Israel Cárdenas;
Romênia: Aferim!, de Radu Jude [Mostra de São Paulo];
Rússia: Sunstroke, de Nikita Mikhalkov;
Sérvia: Enclave, de Goran Radovanović;
Singapura: 7 Letters, de Royston Tan, Kelvin Tong, Eric Khoo, Jack Neo, Tan Pin Pin, Boo Junfeng e K. Rajagopal;
Suécia: Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência, de Roy Andersson [Circuito];
Suiça: Iraqi Odyssey, de Samir;
Tailândia: How to Win at Checkers (Every Time), de Josh Kim;
Taiwan: A Assassina, de Hou Hsiao-hsien;
Turquia: Sivas, de Kaan Müjdeci;
Uruguai: A Moonless Night, de Germán Tejeira;
Venezuela: Lo que lleva el río, de Mario Crespo [Mostra de São Paulo];
Vietnã: Jackpot, de Dustin Nguyen.

Oscar-2016