(10 Cloverfield Lane, EUA, 2016)

Suspense
Direção: Dan Trachtenberg
Elenco: John Goodman, Mary Elizabeth Winstead, John Gallagher Jr., Bradley Cooper
Roteiro: Josh Campbell, Matthew Stuecken, Damien Chazelle
Duração: 103 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Recentemente o esperado longa Batman Vs Superman: A Origem da Justiça foi criticado pelas informações que revelou em seus trailers. Não só por esse motivo, mas por repetições na estrutura do roteiro, Rua Cloverfield, 10 perde a chance de ser ótimo e termina apenas como um bom suspense.

Dan Trachtenberg, diretor do longa, e J.J. Abrams, produtor, dizem que Rua Cloverfield, 10 pertence ao mesmo mundo de Cloverfield (2008). Na verdade tal informação – para a história – é dispensável. Cloverfield se passa em Nova York e, em found footage, vemos a cidade ser destruída por monstros gigantescos.

Já em Rua Cloverfield, 10, estamos em outro local, outros personagens, outros mistérios e até mesmo outro estilo de filmagem. Ainda que haja pontes entre as duas histórias, elas ficam no plano subjetivo, não sendo trabalhadas no roteiro e nem precisando que um enredo seja conhecido para entender o outro.

Michelle (Mary Elizabeth Winstead) está saindo de casa, colocando seus pertences no carro e pegando a estrada. Ela vai deixar tudo para trás, inclusive seu relacionamento com Ben (Bradley Cooper, numa participação especial somente emprestando a voz para o personagem em uma conversa telefônica). Na estrada, Michelle tem seu carro violentamente atingido por outro automóvel e acorda sedada e algemada num porão.

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Howard (John Goodman) é o dono do lugar, um bunker construído abaixo de sua fazenda. Segundo Howard houve um terrível ataque químico, de origem desconhecida e todos na superfície estão mortos, exceto ele, Michelle e Emmett (John Gallagher Jr.), outro personagem que Howard salvou.

A primeira meia hora do longa é de uma intensidade perturbadora. A trilha enfatiza o suspense de forma ininterrupta e o clima de tensão e mistério é mantido no mais alto grau. Embora a atuação de John Gallagher Jr. seja ok, a função de seu personagem é bastante descartável, insere alguns momentos de humor em meio a tensão e ao confirmar a história de Howard reforça o clima de suspense e mistério. Afinal, aconteceu de fato o tal ataque ou Michelle e Emmet estão ali como prisioneiros do lunático Howard?

Ainda que tenha um bom começo, ao longo das investigações de Michelle, o longa perde sua força inicial. Reviravoltas e novas informações, porém, trazem as incertezas de volta à trama e seguem usando uma estrutura de roteiro que aponta sempre para a incerteza. O problema é que essas reviravoltas são cada vez menos tênues e a construção feita para surtir o efeito da surpresa acaba por se tornar previsível em dado momento. O ponto alto acaba por ser o ponto mais fraco do longa, embora não o torne ruim ou menos interessante, mas limita seu potencial.

No decorrer dos 105 minutos do filme, John Goodman, mesmo sem ser o personagem principal, apresenta o trabalho mais completo de interpretação. Sua presença forte varia entre rompantes de fúria e um humor frio, desconcertante. Não apenas quando o ator está em cena, mas mesmo quando não aparece, o rastro de seu personagem ocupa todos os cantos daquele claustrofóbico ambiente. Em contrapartida, Mary Elizabeth Winstead segue apenas correta.

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Por fim, a direção de Dan Trachtenberg aponta para alguns momentos e elementos interessantes na construção da narrativa. Como por exemplo os instantes iniciais de suspense e a forma criativa como os créditos iniciais são apresentados, fomentando o clima tenso do longa.

A montagem dinâmica colabora para que toda a tensão seja mantida. O mesmo pode ser dito da fotografia, que em certos momentos deixa de mostrar, mas sugere por meio de um enquadramento bem próximo aos olhos dos personagens; já em outros, aposta na câmera na mão percorrendo os cenários, sempre estreitos e apertados, reafirmando a angústia com que os personagens vivem por ali.

Rua Cloverfield, 10 possui força para contar duas histórias, dois suspenses distintos que sobreviveriam muito bem apenas numa ténue sugestão do outro, mas ao optar por tornar as coisas mais claras e definidas, depois de constantes reviravoltas, limita a produção apenas a mais uma história, aquela que se vê e que se encerra nos créditos finais.

Um Grande Momento:
Michelle acordando.

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