(Romance, BRA, 2008)

Direção: Guel Arraes

Elenco: Wagner Moura, Letícia Sabatella, Vladimir Brichta, Andréa Beltrão, José Wilker, Marco Nanini, Bruno Garcia, Tonico Pereira

Roteiro: Guel Arraes, Jorge Furtado

Duração: 100 min.

Minha nota: 6/10

Ainda com aquela cara característica de minissérie global, Romance conta a história do amor de um casal de atores que ao encenarem a peça Tristão e Isolda se apaixonam de verdade. Mas o convite de um deles para atuar na televisão acaba estragando o romance.

O mais interessante é a brincadeira com a televisão, o caminhar sempre igual das novelas, os casais cênicos produzidos e o quanto ela influencia no sucesso dos atores fora das telinhas.

O filme tem atuações brilhantes do elenco que conta com nomes conhecidos do grande público como Vladimir Brichta (Fica Comigo esta Noite), Andréa Beltrão (Verônica), José Wilker (O Maior Amor do Mundo), Letícia Sabatela (Não Por Acaso) e Wagner Moura (Tropa de Elite), todos extremamente competentes. As pontas também são ótimas. Tonico Pereira (Saneamento Básico, o Filme) está ótimo como o diretor de novelas que é obrigado a gravar vários finais e Bruno Garcia (Cleópatra), figurinha carimbada nos filmes de Guel Arraes (Lisbela e o Prisioneiro), como o ator conformado.

Outra presença marcante nos filmes do diretor é a de Marco Nanini (A Grande Família – O Filme), sempre surpreendente. Em romance ele encarna a estrela da televisão que nos bastidores vive de chiliques, mas que em cena é fenomenal. Em poucos minutos ele consegue tomar conta de todas as cenas que participa.

Além das atuações é muito interessante ver como a grande maioria das pessoas é manipulada pelo poder da telinha. O filme acaba tocando uma ferida aberta da cultura brasileira. Infelizmente, é muito mais fácil lotar um teatro se alguém do elenco está atuando em novelas, mesmo que seja com papéis cômicos e vazios. Ao mesmo tempo, as peças só podem acontecer de sexta a domingo (ou quinta, às vezes), porque seus atores têm que gravar suas novelas.

No meio do filme também pensamos na influência da televisão no cinema. Quantas pessoas foram ver o filme porque ele era encenado pelo Olavo de Paraíso Tropical, pelos Nenê e Marilda da Grande Família e pelo Augusto da novela das sete? Se só tivesse atores desconhecidos, ele estaria entre os dez filmes mais vistos da semana?

Voltando ao filme em si, muitas das marcações de cena, propositalmente teatrais, são belíssimas, assim como a versão de Caetano Veloso para sua música, Nosso Estranho Amor. O ritmo também se mantém e consegue criar um clima. O problema, talvez, está em insistir no triângulo tanto tempo. Além de desnecessário, é incoerente.

Misturando vários gêneros, o filme emociona, faz rir e é uma boa diversão, sem dúvida nenhuma. Só que deve ser visto sem grandes pretensões.

Voltando ao assunto da influência, mas dessa vez da telona, vários momentos do filme fazem a gente ter muita vontade de conferir o Hamlet do ator baiano, que volta a ser encenado no ano que vem.

Um Grande Momento
O casaco sintético.



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