(Rock of Ages, USA, 2012)

Musical
Direção: Adam Shankman
Elenco: Tom Cruise, Catherine Zeta-Jones, Alec Baldwin, Paul Giamatti, Diego Boneta, Julianne Hough, Russell Brand, Mary J. Blige, Malin Akerman
Roteiro: Justin Theroux, Chris D’Arienzo e Allan Loeb
Duração: 123 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆
Em 2009 o musical Rock of Ages estreou na Broadway fazendo um enorme sucesso ao apresentar diversos clássicos do rock dos anos 80. Então depois de adapatar para as telonas Hairspray, sobre os dourados anos 60, Adam Shanskman resolveu adaptar o musical da Broadway para o cinema, uma nova onda do cinema de Hollywood, depois de filmes de super heróis.

A história acompanha alguns personagens envolvidos com a cena do rock na Las Angeles dos anos 80. Sherrie sai da minúscula Tulsa em Oklahoma e parte para LA em busca do sonho de ser cantora. Drew, outro aspirante ao sucesso, trabalha no mais famoso point do rock, o Bourbon Room, que é comnandado por Dennis Dupree (Alec Baldwin) e seu ajudante Lonny (Russel Brand). O lugar está à beira da falência, mas conta com o show do rock star completamente instável, Stacee Jaxx (Tom Cruise) como última esperança. Para piorar, a primeira dama da cidade Patricia Withmore, quer acabar com toda aquela pouca vergonha do lugar. Em outras palavras, uma sucessão de clichês.

A trilha é a melhor coisas do filme e vai fazer muita gente cantarolar e quase se empolgar com algumas cenas. As versões criadas não incomodam tanto e nem tiram a essência das músicas originais de Bon Jovi, Pat Benatar, Twisted Sister, Steve Perry, Poison, Skid Row, REO Speedwagon, Guns N’Roses, Whitesnake, Def Leppard e outros. O problema é seu tom extremamente meloso. Há momentos que pedem algo mais de protesto e a trilha insiste no “amorzinho”.

Isso também é reflexo de um roteiro que optou por seguir perto demais o casal jovem e bonitinho em busca de sucesso e amor. Os momentos dos dois juntos, salvo a cena na loja de discos onde ele canta uma ótima ‘Jukebox Hero’, são piegas e melosos demais. E isso se agrava quando Sherrie começa a cantar, lembrando as cenas do seriado Glee. O timbre de voz infantil da moça é muito irritante (assim como seu visual extremamente angelical) e fica difícil entender porque americanos consideram isso bom. Além disso há um ou outro momento nonsense (um macaco fazendo grosserias ou uma língua enfiada no ouvido) que dificultam a empatia, parecendo mais um filme besteirol do Ben Stiller.

Mas o tal tom meloso felizmente desaparece quando temos em cena Alec Baldwin, Russel Brand e Tom Cruise. São eles os responsáveis pelas melhores cenas, sem dúvida. Baldwin e Brand performam um hilário dueto de ‘Can’t Fight This Feeling’ e, por mais engraçado que pareça, têm uma ótima química ao contracenarem. Já Cruise está excelente como o rock star sexy, introspectivo, lesado e alienado numa mistura meio louca de Alice Cooper, Steven Tyler, Mick Jagger e Gene Simmons. Quando ele se livra dos personagens de bom moço, como em Magnólia e Trovão Tropical, é impressionante sua entrega ao papel. Suas performances em ‘Pour Some Sugar on Me’ e ‘Wanted Dead or Live’ são muito marcantes.

O jovem Diego Boneta (conhecido aqui pela novela Rebelde) é uma boa revelação, segurando bem as pontas ao mostar seu pontencial de rock star como na ótima apresentação de ‘I Wanna Rock’. Já Julianne Rough apesar de ser uma atriz ok, estraga tudo ao cantar de maneira infantilizada. Catherine Zeta Jones não está bem e foi subaproveitada, no entanto sua alienada apresentação de ‘Hit Me With Your Best Shot’ é excelente. Paul Giamatti está muito bem como o empresário de Stacee. Valem também as participações de Bryan Cranston (da série Breaking Bad) e Mary J. Blige com sua poderosa voz.

Apesar das boas músicas, da promessa de sucesso e do grande elenco, Rock of Ages não passa de um grande equívoco, que mais parece um episódio longo de Glee, com direito a ‘Don’t Stop Believing’, do que um tributo aos clássicos do rock. Um ótimo momento do filme, por exemplo, é o embate entre os defensores do Bourbon e as senhoras carolas que proporcionou um incrível pout-pourri com ‘We Not Gonna Take It’ e ‘We Built This City’. Mas qualquer outra relação a essa briga e a atitude rock’n’roll foi deixada de lado para priorizar o romance adolescente.

Felizmente há boas músicas, momentos hilários e ótimas atuações, mas que talvez não valham o ingresso. Só mesmo para os grandes fanáticos por rock (não do metal, é algo mais pop), que não liguem tanto para a história e se liguem mais nos musicais. Mas fica o aviso: a tarefa é árdua.

Um Grande Momento

O dueto de Dennis Dupree e Lonnie

Rock of Ages - O filme

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