(Revoada, BRA, 2014)

Aventura
Direção: José Umberto Dias
Elenco: Jackson Costa, Annalu Tavares, Nelito Reis, Edlo Mendes, Aldri Anunciação, Bernardo Del Rey, Nayara Homem, Caio Rodrigues, Sérgio Telles, Gil Teixeira, Christianne Veigga, Carlos Betão
Roteiro: José Umberto Dias
Duração: 80 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Ver Revoada nas telas é ver uma injustiça ser desfeita. O longa-metragem, roteirizado e dirigido pelo cineasta baiano José Umberto Dias (O Anjo Negro) tem uma história triste fora das telas, que demonstra toda a fragilidade do setor artístico brasileiro.

José Humberto, pela convivência de muitos anos que teve com Dadá, uma das mais famosas cangaceiras do grupo de Lampião, sonhava em fazer o seu filme sobre o cangaço. Seu sonho começou a se realizar quando o filme ganhou um edital para filmes de baixo orçamento do Ministério da Cultura. Para se inscrever, o diretor indicou o produtor Rex Schindler.

Após as filmagens, no momento da montagem, o diretor descobriu que estava doente e precisou passar por uma delicada cirurgia. Foi então que o produtor pegou o material do bruto e, à revelia do diretor, montou o filme como bem entendia, sem levar em consideração a vontade daquele que concebera a obra.

Uma longa batalha judicial aconteceu depois disso. Finalmente, o filme voltou legitimamente às mãos de seu criador e ganhou vida. Hoje percorre os festivais contando a história do fim do cangaço, do jeito que gostaria de ter contado antes.

Após a emboscada que capturou e matou Lampião e Maria Bonita, um grupo remanescente de cangaceiros, composto por oito homens e duas mulheres, precisa decidir se vai se entregar aos “macacos”, apelido dado aos soldados das volantes militares destacadas para caçar o bando, ou se vai vingar o seu líder.

As ações vistas na tela ressaltam a juventude e uma certa ingenuidade do grupo. Todos os sentimentos são muito extremados, como são inconsequentes as muitas atitudes tomadas. A insegurança pela perda do seu capitão e o dilema que persegue o grupo, abala a relação previamente estabelecida entre eles.

Em Revoada, percebe-se uma influência muito grande daquele cinema novo idealizado e realizado por Glauber Rocha, como se o diretor quisesse equalizar toda a juventude e vanguarda de seu conterrâneo com o própria atividade do cangaço, pela sua visão, também jovem e, de algum modo, vanguardista.

Em uma montagem irregular, cortes secos se misturam a planos mais longos e tomadas inventivas, a planos tradicionais, nem sempre adequados à ação. A irregularidade também pode ser percebida na atuação. O tom teatral que domina o filme, perde a mão e foge ao controle em momentos de mais dramaticidade, expondo a duração excessiva de determinadas sequências e a disparidade de qualidade entre os atores.

O jovem cangaceiro Lua Nova, novo líder do grupo após a morte de Lampião, é vivido pelo ator Jackson Costa (Jenipapo), que faz um bom trabalho. Outras participações também se destacam, como as de Nelito Reis (Estranhos), como o Gavião; Carlos Betão (Memórias Póstumas de Brás Cubas), como Tião, e Christianne Veigga, como a Baronesa de Água Branca. Assumindo a intenção, a experiência teatral, bastante explícita, faz a diferença.

Frenético na concepção e, por vezes, bastante acima do tom, Revoada é uma homenagem de José Umberto à história de cangaço e ao próprio cinema baiano, sem falar que é um filme sobrevivente, que hoje consegue existir mesmo com toda lógica de mercado e desrespeito artístico imperante no nosso país.

Um Grande Momento:
A conversa entre Tião e a Baronesa.

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