(Retour à Ithaque, FRA/BEL, 2014)

Drama
Direção: Laurent Cantet
Elenco: Isabel Santos, Jorge Perugorría, Fernando Hechavarria, Néstor Jiménez, Pedro Julio Díaz Ferran, Carmen Solar, Rone Luis Reinoso, Andrea Doimeadios
Roteiro: Leonardo Padura (peça), François Crozade, Laurent Cantet, Lucia Lopez Coll
Duração: 95 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Havana. Cinco amigos se reúnem na casa de um deles para celebrar o retorno de um amigo que passou 16 anos exilado. No terraço de um prédio, com a vida acontecendo normalmente ao redor, eles se voltam para antigas mágoas, lembranças do passado, a crença na revolução e a decepção com a vida atual. Embora a amizade seja a força que prevalece, há muito a ser desnudado na vida de cada um deles.

Amadeo (Néstor Jiménez) é o amigo que está voltando à ilha após ter deixado a esposa doente para trás e se exilado na Espanha. Aldo (Pedro Julio Díaz Ferran), o dono da casa, é um mecânico que hoje sobrevive reciclando baterias de carros; Rafa (Fernando Hechavarria), um pintor frustrado que nunca conseguiu viver da arte que gostaria de fazer; Eddy (Jorge Perugorría) também acabou abandonando a arte, e vive de pequenos golpes; Tânia (Isabel Santos) é médica, mas não consegue se sustentar com a profissão e precisa da ajuda financeira dos filhos que já não moram mais no país.

Há muito de Sartre no que se vê. A relação do homem com o ambiente que o cerca, a intersubjetividade, aquela “má-fé” que faz com que as coisas criadas individualmente tornem-se verdades próprias, a liberdade própria e dos outros, e a possibilidade de se ver pelos olhos dos outros. É curioso que Laurent Cantet, que trouxe às telonas o documentário Entre os Muros da Escola, agora se volte para algo tão próximo de “Entre Quatro Paredes“, do filósofo conterrâneo. É como se aquele universo de Garcin, Estelle e Inês ganhasse mais corpo e a morte desse lugar para a decepção de outros personagens, que também não têm mais para onde ir.

Cuba, mais do que o cenário, também é uma personagem. A vida atual na ilha, completamente diversa daquela almejada por cada uma daquelas pessoas, torna o encontro mais pesado, mas, ao mesmo tempo, dá força à união daquelas pessoas e traz uma certa doçura ao que se vê na tela. A verdade está nas palavras e situações descritas por Leonardo Padura, hoje um dos melhores escritores cubanos, todas muito bem aproveitadas pelo diretor.

Cantet também sabe como se aproveitar da força da interpretação de seu quinteto principal. Em uma montagem bastante teatral e bastante baseada no texto, a força dos atores é fundamental para fazer com que as coisas funcionem como deveriam.

Em sua limitação cênica e contando com atuações brilhantes. Retorno a Ítaca sabe mesclar sentimentos. É tocante e chega a ser triste, mas está recheado de cenas bem-humoradas, e faz um retrato de Cuba que não estamos acostumados a ver. Além de ser uma linda homenagem à amizade.

Daqueles filmes que merecem ser conhecidos.

Um Grande Momento:
O mistério de Amadeo.

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