(Resident Evil: Afterlife, GBR/ALE/EUA, 2010)

Ação
Direção: Paul W.S. Anderson
Elenco: Milla Jovovich, Ali Larter, Kim Coates, Shawn Roberts, Sergio Peris-Mencheta, Spencer Locke, Boris Kodjoe
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Duração: 97 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆
Resident Evil 4 – Recomeço foi feito para dar certo. Das ótimas sequências de ação aos impulsos dramáticos do roteiro, passando pelas divertidas referências pop que atravessam a narrativa e, principalmente, o visual espetacular que brinda o espectador com cenas e enquadramentos que tentam tirar o nosso fôlego – como é o caso da belíssima sequência de abertura que traz uma chuva em slow motion e que termina com uma elegante ilustração do espalhe da epidemia pelo mundo: enquanto a câmera se afasta de um ponto específico, vemos as luzes das metrópoles se apagando em um blackout progressivo que deixa o planeta às escuras, culminando no belíssimo quadro do eclipse.

Embora seja muito melhor do que os dois episódios anteriores da franquia, este Recomeço não consegue superar o ótimo filme original e nem mesmo estabelecer a força de seu subtítulo. Ao invés disso, o que temos aqui é simplesmente a chance de revisitar momentos e elementos “clássicos” da franquia, nos cinemas e nos games, e assistir a referências que nos levam a outras obras pop dos últimos anos.

E, por mais incrível que pareça, isto é o bastante.

Remetendo ao final de Resident Evil: Apocalipse, segundo filme da série, que parecia não querer terminar, Residente Evil 4: Recomeço não tem pressa de começar e apresenta várias sequências que mais funcionam como “abertura” e têm a clara função de se livrar de um ou outro gancho do filme anterior – como os patéticos clones que mais parecem ratinhos e, principalmente, os poderes especiais adquiridos pela heroína.

Assim, após vários minutos e reviravoltas iniciais, finalmente nos deparamos com uma Alice humanizada emocional e fisicamente, vagando sozinha por um mundo devastado enquanto segue as coordenadas e rastros de uma espécie de terra prometida que parece não existir. Mas os anos de solidão repentinamente ficam para trás após um inesperado reencontro e um pouso forçado. E os zumbis… finalmente voltam a ser personagens e não mero pano de fundo.

Apesar do grande chamariz da produção ser a altíssima qualidade das imagens (que, repito, é espetacular), é curioso notar que a direção de arte é o ponto fraco e apresenta limitações no uso do 3D que, além de ser extremamente incômodo na maior parte do tempo (meus olhos nunca lacrimejaram tanto!), ainda faz prédios devastados parecerem maquetes. Assim, é natural que tanta tecnologia perca espaço em cena e dê o cargo de atrativo para as brincadeiras que tomam o roteiro e a direção.

E é aqui que a coisa fica divertida. Reconhecendo os pontos fortes que fizeram sucesso na franquia, o filme brinca com o imaginário dos fãs do gênero ao trazer de volta os zumbis-mutantes que soltam tentáculos pela boca, os cães-zumbis (que se tornaram uma criatura grotesca) e a personagem com amnésia (cuja trajetória aqui acontece sem qualquer graça). Sem contar O Carrasco, uma criatura assustadora e inexplicável que parece ter vindo diretamente dos games de terror e que é responsável pelos momentos mais tensos do longa.

Da mesma forma, a brincadeira continua com as nada discretas referências a símbolos de obras que se tornaram icônicas nos últimos anos, como a mancha de sangue que remete diretamente à maquiagem do Coringa em Batman – O Cavaleiro das Trevas e a divertida condição na qual o personagem de Wentworth Miller é apresentado ao espectador.

Com atores carismáticos e uma Jovovich em sua melhor performance, sem grandes surpresas e nunca cansativo, cheio de momentos que ensaiam um bom drama e tensão suficiente para manter a diversão, Resident Evil 4 dá fôlego novo a franquia – que tinha perdido a graça há três anos – e parece ter sido feito para agradar a gregos e troianos: os fãs de cinema e os fãs de games. O que, felizmente, poderá recuperar a fé dos produtores em manter Jovovich à frente de uma eventual seqüência.

Um Grande Momento

Ali Larter brincando de protagonista. Toda molhada.

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