(Repo Men, EUA/CAN, 2010)

Ficção Científica
Direção: Miguel Sapochnik
Elenco: Jude Law, Forest Whitaker, Alice Braga, Carice van Houten, Chandler Canterbury, Joe Pingue, Liza Lapira, Tiffany Espensen, Yvette Nicole Brown, RZA
Roteiro: Eric Garcia (romance e roteiro), Garrett Lerner
Duração: 111 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Repo Men – O Resgate de Órgãos parte de uma premissa bem interessante: no futuro, as pessoas com problemas de saúde não precisam mais ficar esperando um tempão em filas de transplante, podem recorrer a órgãos artificiais. Os órgãos são vendidos a preços exorbitantes por uma empresa chamada União e aqueles que não podem pagar têm opções de planos de parcelamento, com juros altos e parcelas eternas.

A alternativa é perfeita até que o transplantado não possa pagar a primeira parcela. Com 90 dias de atraso, os devedores são procurados pelos repo men do título e o órgão é extraído do corpo e devolvido à corporação.

O foco narrativo é tão interessante quanto o argumento básico. Remy (Jude Law) é um dos repossuidores de órgãos e, para salvar seu casamento, está prestes a trocar sua função por um cargo administrativo. Em sua última missão, recolher o coração de um músico de quem é fã, ele sofre um acidente e passa a precisar do mesmo órgão que recolheria. Para pagar a mensalidade de seu coração, ele precisa continuar no cargo antigo, mas seu modo de encarar a situação está completamente diferente.

O filme, mistura muita ação à ficção científica e tem divagações interessantes sobre questões habituais no universo capitalista, como a própria alegoria da tomada de bens, aqui órgãos vitais; as transações contratuais que supervalorizam os prós e mascaram os contras; a exploração do desespero, quando pessoas estão fragilizadas e aceitam qualquer proposta, e a dominação de uns poucos e a dependência de muitos. Também brinca com paradoxos, como a possibilidade de tirar uma vida pelo simples fato de que ela só existe graças a você.

Seria uma experiência muito mais interessante se o diretor Miguel Sapochnik não se perdesse completamente lá pela metade do filme. Nada funciona muito bem depois que Remy vira um fugitivo ao lado Beth (Alice Braga) e parte para o submundo habitado por aqueles que tentam sobreviver aos homens da União. O exagero está nos diálogos, na direção de arte e, principalmente, no desenho da ação, seja nas fugas ou nas lutas corporais.

Com um final relativamente fácil de ser antecipado pelas viradas do roteiro, o filme chega ao fundo do poço na sua terça parte final. A luta diante da porta rosa, uma fracassada tentativa de referência, só não é mais patética porque é seguida de uma cena ao mesmo tempo cirúrgica e erótica tão absurda que qualquer sentimento despertado anteriormente desparece.

As atuações de Jude Law e Alice Braga não conseguem ir além de regular e é fácil detectar alguns momentos de vergonha nos dois trabalhos. Forest Withaker está Forest Withaker e só mesmo Liev Schreiber parece se divertir de verdade com aquilo que está fazendo.

Com muito potencial e uma trilha sonora bem interessante, Repo Men – O Resgate de Órgãos poderia ter sido um filme interessantíssimo, mas acaba sendo só mais um entre tantos filmes de ficção científica de final previsível que se perde no uso banal da violência. E, pior, sem saber criar cenas violentas de qualidade.

Um Grande Momento:
A sala de produção.

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