(Querida voy a comprar cigarrillos y vuelvo, ARG, 2011)

Comédia
Direção: Mariano Cohn, Gastón Duprat
Elenco: Emilio Disi, Kamil Iturralde Huerin, Darío Lopilato, Alberto Laiseca, Emma Rivera, Eusebio Poncela, Marina Horowitz
Roteiro: Alberto Laiseca (conto), Mariano Cohn, Gastón Duprat
Duração: 80 min.
Nota: 3 ★★★☆☆☆☆☆☆☆

Logo nos primeiros minutos do filme um narrador que conversa diretamente com o público chama a atenção para uma figura. O jogo narrativo é interessante e desperta o interesse, mas não demora muito para que aquele off torne-se óbvio e irritante.

O que parecia perdido de vez ao fim do prólogo quase se recupera com novas tentativas narrativas, mas nenhuma delas consegue se manter por muito tempo. Ao invés disso, a alternância meio sem sentido agrava o problema e vai, pouco a pouco, esgotando a paciência de quem assiste ao filme. A ideia de misturar modos narrativos pode parecer, e é, desafiadora e atraente no papel. Mas, como executada aqui, não funciona na tela.

Depois de conhecer uma figura estranha em um restaurante onde costuma ir com a esposa para constatar que não deu certo na vida, Ernesto tem a chance de reviver de novo dez anos de sua vida, começando de qualquer momento a sua escolha. Enquanto para ele se passa uma década, no presente passam-se apenas cinco minutos. A insignificância de Ernesto poderia deixar a história interessante, mas a percepção precoce de que aquilo não passará de uma espécie de teste de mediocridade desmotiva.

No filme misturam-se: um narrador onipresente, que vez por outra conversa diretamente com quem o assiste; os pensamentos em primeira pessoa do protagonista; os diálogos da trama e pausas para os comentários do autor do conto em que Querida, Vou Comprar Cigarros e Já Volto se baseia. Fácil antecipar como a coisa se perde e as claras possibilidades de confusão e de pouco interesse em situações e detalhes importantes.

O vai e vem temporal, que não pode ser considerado flashback já que a própria história determina esse passeio entre décadas e momentos da vida do protagonista, também não ajuda muito.

É como se rebuscassem demais na forma para contar uma história que não tem um conteúdo atrativo. E quando o objeto central é desinteressante e insignificante, não tem invenção narrativa, salto no tempo ou tentativa de apelo à memória coletiva que salve o projeto. Todo o esforço não vai passar de um emaranhado de ideias cansativo e sem muito sentido.

Um Grande Momento:

O primeiro minuto.

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