(Qualquer Gato Vira-Lata 2, BRA, 2015)

Comédia
Direção: Roberto Santucci, Marcelo Antunez
Elenco: Cleo Pires, Malvino Salvador, Dudu Azevedo, Rita Guedes, Álamo Facó, Stella Miranda, Letícia Novaes, Mel Maia, Yasmin Mitri, Roberto Santucci, Marcelo Saback, Fábio Jr.
Roteiro: Juca de Oliveira (peça), Paulo Cursino, Bibi da Pieve
Duração: 104 min.
Nota: 2 ★★☆☆☆☆☆☆☆☆

Tendência no cinema estadunidense, as continuações de filmes que fizeram sucesso financeiro também tem enchido os olhos dos produtores de outros países e também do Brasil. Entre os títulos que ganharam uma continuação, está o longa-metragem Qualquer Gato Vira-Lata.

A história bonitinha da mulher frustrada com o namorado relapso, que se envolve com um biólogo que tenta relacionar o comportamento humano durante as conquistas amorosas com as atitudes de animais irracionais, agradou o público das comédias românticas e não ficou devendo nada para exemplares estrangeiros do gênero. Com o sucesso, quatro anos depois, voltou com os mesmos personagens ao cinema.

Em Qualquer Gato Vira-Lata 2 a trama transferida para um resort em Cancún. Lá, Conrado lançará a versão em espanhol de seu livro e debatera o tema com a ex-mulher Ângela, que lançou uma tese contrária a dele. Tudo muito facilitado e mais enfeitado para o retorno dos já conhecidos personagens, com espaço para a incorporação de novos rostos.

A protagonista Tati aproveita a estada no hotel de luxo para pedir a mão do novo namorado em casamento, com todas aquelas papagaiadas permitidas pelas novas tecnologias com que os pedidos andam sendo feitos atualmente. Porém, Conrado não responde aquilo que a jovem esperava e a confusão começa.

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Com um visual muito mais descuidado, assumindo claramente a estética de programa televisivo de humor, e um roteiro de causar vergonha em qualquer um, o filme passa longe de criar um envolvimento real com o público que o assiste. Nada que vá muito além de sorrisos amarelos e risadas que poderiam muito bem acompanhar esquetes aleatórias.

Extremamente machista, embora vista aquele disfarce de descolado, divertido e crítico quanto ao assunto – erro bastante comum em tramas que tentam amenizar o problema -, é muito difícil sobreviver aos muitos clichês na regionalização, às opções cômicas equivocadas e a erros básicos, como a relação do sexo com a bebida ou a reação a relações sexuais com pessoas mais velhas, por exemplo.

Além destes problemas, há um equívoco em imaginar que existia um algo mais a ser contado ali. A menos que a ideia original fosse fazer um piloto para uma série com as aventuras do novo casal, nada consegue justificar um novo longa-metragem.

O sentimento imperante em Qualquer Gato Vira-Lata 2 é o de constrangimento. E não há cena que descreva melhor isso do que a da chegada inesperada de Fábio Jr. que acena de longe em uma praia para a filha na vida real. Depois de um diálogo desconexo, ele ainda canta com ela a música “O que é que há?”. Isso sem falar na péssima conexão da letra com a ressaca de outros personagens.

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Mas ainda há outros momentos tão ou mais embaraçosos do que esse, que se misturam a um apanhado sem fim de cichês do gênero, com direito àquela cena de resgate moral do antagonista e a corrida do mocinho atrás da mocinha.

Uma daquelas experiências que não acrescentam em quase nada na vida de quem assiste ao filme. Quase nada porque deixa uma vergonha que muitos outros filmes tentam deixar, mas não conseguem.

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