(What’s Your Number?, EUA, 2011)

Comédia
Direção: Mark Mylod
Elenco: Anna Faris, Chris Evans, Ari Graynor, Blythe Danner, Ed Begley Jr., Oliver Jackson-Cohen, Joel McHale, Chris Pratt, Zachary Quinto, Martin Freeman, Andy Samberg, Anthony Mackie, Thomas Lennon
Roteiro: Karyn Bosnak (romance), Gabrielle Allan, Jennifer Crittenden
Duração: 106 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

Mulheres carentes que perdem muito tempo se preocupando com o que os outros vão pensar sobre ela são figuras comuns nas comédias românticas produzidas em Hollywood. Preocupadas em corresponder às expectativas familiares, acabam envolvendo-se em relacionamentos pouco aproveitáveis sempre mantendo a esperança de chegar ao altar. Essa também é a protagonista de Qual Seu Número?

Ally Darling, interpretada por Anna Faris (Smiley Face – Louca de Dar Nó), sabe fazer esculturas de cenas urbanas, mas, convencida pela família, tem um emprego tradicional para ser mais bem vista socialmente. Ela também inventa várias artimanhas para tentar tornar um relacionamento ocasional, com um cara que não tem nada a ver com ela, em alguma coisa séria, mas sem muito sucesso.

Apesar da estrutura tradicional de comédia romântica e de cenas divertidas na busca pelos ex-namorados, Qual Seu Número? força a barra em muitos aspectos e acaba soando muito mais machista do que os filmes do gênero. Ally é uma mulher que vive para corresponder àquela imagem careta das mulheres do século retrasado e tem como principal objetivo de vida encontrar um homem para tornar a sua vida completa.

A coisa fica muito mais grave quando o filme condiciona a possibilidade de sucesso em relacionamentos ao número de parceiros sexuais da protagonista. Ao encontrar uma matéria sobre esta absurda relação, Ally descobre que por ter tido 19 parceiros só tem mais uma chance de felicidade. Cenas como a do metrô, quando uma senhora dá seu parecer sobre o artigo da revista, ou como a do encontro no bar com as amigas, quando todas participam de uma brincadeira com o número de parceiros beiram o absurdo.

Reações como a de todas as amigas que chamam outra de “puta” por ter tido mais de dez parceiros soam tão chocantes nos dias de hoje, que é difícil acreditar que o filme se baseia em um romance escrito por uma mulher e, pior, foi adaptado para as telonas por outras duas. É tudo tão preconceituoso e antiquado, que fica difícil fechar os olhos ao contexto geral para tentar se divertir com algumas passagens bem-humoradas.

Não adianta nem o esforço de Faris, sempre muito natural em papéis cômicos, e toda a beleza estonteante de Chis Evans, que tem a sua boa forma explorada das mais variadas formas em tela e passa mais da metade do filme com pouquíssima roupa.

É o preço pago pela vontade de contar uma história que já não tem o menor cabimento. E a insistência no assunto perdura até os últimos momentos, quando alguma coisa poderia ser salva, mas uma ligação acaba com qualquer possibilidade de recuperação.

Uma pena que ainda existam histórias assim.

Um Grande Momento:
Mantendo o sotaque.

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