(Psycho, EUA, 1960)

Horror
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: Anthony Perkins, Vera Miles, John Gavin, Janet Leigh, Martin Balsam, John McIntire, Simon Oakland
Roteiro: Robert Bloch (romance), Joseph Stefano
Duração: 109 min.
Nota: 9 ★★★★★★★★★☆

Em 1960, Alfred Hitchcock (Intriga Internacional), já com a fama estabelecida de mestre do suspense, levava aos cinemas do mundo uma de suas obras-primas, Psicose. O filme, que a princípio indicava ser um filme de suspense criminal, como tantos outros do diretor britânico, entra por uma vereda diferente ao assumir o horror como caminho principal.

Baseado no romance homônimo de Robert Bloch, o longa-metragem acompanha a fuga de Marion Crane, uma secretária apaixonada que tem encontros no horário do almoço com o amante casado, depois de roubar o dinheiro de seu patrão. Dirigindo para longe da cidade, Marion resolve parar para descansar em um hotel à beira da estrada, o Bates Motel, onde um homem tímido parece ter uma conturbada relação com sua mãe.

O cuidado que é característico nas produções de Hitchcock pode ser percebido por todo o filme. Desde a abertura com a já assustadora música de Bernard Hermann (Cidadão Kane) e créditos iniciais também angustiantes de Saul Bass (Spartacus) até seu desfecho inesperado.

Há Hitchcock também no modo como entramos na vida de Marion, como um voyeur que gosta de espiar pela janela, e em como somos obrigados a prestar atenção àquilo que ele quer que olhemos, como o pacote de dinheiro em uma cena específica.

Mas o grande diferencial de Psicose está em seu desenrolar, quando o próprio diretor abandona o conforto de sua maestria para investir em um gênero diferente. Se até o terceiro ato acompanhamos um competente thriller, depois de uma alternância do protagonismo, com a morte da personagem principal, o filme adota completamente a atmosfera do terror.

Só que estamos falando de terror com as qualidades de um diretor tarimbado, chato com suas produções e alucinadamente exigente com tudo que fazia. Belos quadros e uma montagem perfeita, associados a toda noção de tempo de cena de Hitch, fizeram com que todo um gênero, muito além de seu filme, mudasse da noite para o dia.

Isso porque, após os anos de ouro da Universal, com filmes de personagens marcantes como Drácula e Frankenstein, o cinema de terror havia se tornado algo menor, baseado em produções rápidas de baixo orçamento e nem tão preocupadas assim com composição visual ou roteiro. O que mudou completamente com a chegada de Psicose.

Embora a filmagem em preto-e-branco tenha tido como principal objetivo fazer o filme sobreviver intacto à censura, o opção faz com que o mesmo adote um tom grave e ao mesmo tempo urgente, além de compor cenas que, em estudadas milimetricamente, tornaram-se grandes individualmente, como a famosa cena em que Marion é assassinada no chuveiro. Nesta cena específica, quase um marco histórico, Hitch experimenta ângulos e filma uma atriz nua, coisas não vistas no cinema da época.

Sem abandonar características comuns de sua obra, o elenco segue o padrão de atuação do diretor, exigente também neste quesito. Quem vive a loira discreta, mas que assume a ousadia quando ninguém está olhando, é Janet Leigh (A Marca da Maldade). Já Anthony Perkins (O Processo) incorpora Norman Bates, a figura que assume o protagonismo do filme depois da morte dela.

Com ritmo perfeito, muito suspense, uma boa dose de sustos e sem envelhecer nada com o passar do tempo, Psicose é um presente de Hitchcock aos amantes do bom cinema. Um filme, sem dúvida, obrigatório para todos.

Um Grande Momento:
O banho.

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